Copa do Mundo 2010: Dia 31, Final

Casillas ergue a taça

O jogo foi tenso, como era de se esperar. Também foi violento, mais do que se poderia imaginar.

Mais uma vez, como foi a marca desta Copa, a arbitragem tomou para si uma posição de destaque na partida. O árbitro inglês Howard Webb, provavelmente com medo de expulsar alguém e influenciar o resultado do jogo, decidiu esconder seu cartão vermelho e administrar o jogo com alguns amarelos e muita conversa.

Estatísticas já indicavam a Holanda como equipe mais faltosa desta Copa, mas durante todo o torneio eles cometeram faltas comuns, parando o jogo sem grande violência. Mas com o salvo-conduto dado pelo árbitro aos 28´do primeiro tempo, quando De Jong deu um “chute de kung fu” no peito de Xabi Alonso, punido com apenas um cartão amarelo, o jogo descambou de vez. Foram 13 cartões amarelos (7 holandeses e 5 espanhóis) e 1 vermelho (para Heitinga, já no 2º tempo da prorrogação) e um recorde: a final de Copa com maior número de cartões na história (e veja bem: eu disse que o juíz segurou os cartões e resolveu muita coisa no papo). Foi mais um recorde para esta geração holandesa: eles já tinham a “honra” de terem participado do jogo de Copa com maior número de cartões na história (quando foram eliminados por Portugal nas oitavas da Copa de 2006, com “apenas” 12 amarelos e 4 vermelhos).

Fora isso, o jogo transcorreu como previsto: duas equipes dedicadas ao toque de bola e à marcação por pressão. Mantiveram o jogo no meio de campo e poucas vezes entraram na área, mas sempre que entravam criavam grandes oportunidades.

A Espanha teve chances claras com Sérgio Ramos, Iniesta, David Villa e mais tarde com Jesus Navas e Fábregas (que entraram no 2º tempo). Do lado holandês, Robben teve a bola do jogo: após lançamento de Sneijder na metade do 2º tempo, Robben saiu sozinho na cara de Casillas e ia jogando um balde de água fria no adversário, como tem sido o costume deste econômico time holandês. Depois de tanta pressão, a Espanha ia perder o jogo que esteve em suas mãos tantas vezes. Mas o capitão espanhol não vacilou. Como é de costume nos grandes times campeões, havia ali um grande goleiro que salvou o dia e manteve o time no jogo.

A Holanda não conseguiu superar sua dependência extrema das jogadas de Sneijder e Robben durante a Copa e, como era previsível, uma hora eles falhariam. Van Persie terminou a Copa sem jogar nada e Kuyt esteve mal na final. A defesa holandesa permaneceu bem, mas de tanto os espanhóis insistirem, conseguiram marcar, depois de 115 minutos de resistência e um jogo memorável do goleiro Stekelenburg.

E assim se foi a invencibilidade holandesa de 25 jogos, que durava desde setembro de 2008, incluindo 100% de vitórias nas eliminatórias e nos 6 primeiros jogos desta Copa. Só perderam um jogo. o único que importava.

A vitória coroa o trabalho extraordinário da seleção espanhola, que iniciou a formação desta equipe no Mundial Sub-20 de 1999, foi reforçado por um excelente trabalho de base do Barcelona (que formou boa parte dos jogadores desta seleção) e culminou em um projeto de renovação da seleção principal que se iniciou logo após a Copa de 2006, com o técnico Luís Aragonés aposentando algumas das estrelas da Fúria e abrindo espaço para estes jogadores. O título da Euro 2008 deu confiança ao trabalho desenvolvido e o experiente técnico Vincente del Bosque, que assumiu o time logo depois do título europeu, fez algumas poucas mudanças e administrou as contusões e ansiedades do time.

No início da Copa parecia que tudo isso iria por água abaixo, com a derrota para a Suíça e a aparência de que algo estava errado no time durante toda a primeira fase. Os jogos sonolentos da Espanha levaram embora seu favoritismo cultivado desde 2008. O ponto de virada foi a difícil vitória sobre o Paraguai e, depois, a superação da “nova” favorita, a Alemanha, na semi-final. Ao fim de uma jornada tão longa, seria um crime ver esta seleção derrotada e tendo de carregar a fama de “amarelona“. Ainda mais com uma geração tão vitoriosa como esta (tanto na seleção como em seus clubes).

David Villa levou a Espanha sozinho até as quartas. Lá o time começou a entrar no ritmo do campeonato. Deslocado para o centro da área na semi-final, Villa parou de se destacar tanto, mas Iniesta começou a aparecer mais. Fábregas recuperou-se de sua contusão e ajudou a equipe em seus últimos passos, enquanto Fernando Torres terminou a Copa ainda apagado.

Com um conjunto desses, quando um grande jogador falha, há outros tantos que podem ocupar seu espaço. Essa foi a diferença entre a Holanda e o time campeão.

Iniesta comemora seu gol depois de 115min de jogo

HOLANDA 0X1 ESPANHA

Holanda: Stekelenburg, Van der Wiel, Heitinga, Mathijsen e Van Bronckhorst (Braafheid); Van Bommel, De Jong (Van der Vaart) e Sneijder; Kuyt (Elia), Van Persie e Robben. Técnico: Bert van Marwijk.

Espanha: Casillas, Sergio Ramos, Piqué, Puyol e Capdevila; Xabi Alonso (Fabregas), Busquets, Xavi e Iniesta; Villa (Torres) e Pedro (Jesus Navas). Técnico: Vicente del Bosque.

Estádio: Soccer City, em Joanesburgo (AFS).
Data
: 11/07/2010.
Árbitro: Howard Webb (ING).
Assistentes: Darren Cann (ING) e Michael Mullarkey (ING).
Público: 84.490.
Gol: Iniesta, aos dez minutos do segundo tempo da prorrogação.
Cartões amarelos: Van Persie, Van Bommel, De Jong, Van Bronckhorst, Heitinga, Robben, Van der Wiel, Mathijsen (Holanda); Puyol, Sergio Ramos, Capdevila, Iniesta, Xavi (Espanha).
Cartão vermelho: Heitinga (Holanda)

Copa do Mundo 2010: Dia 30, decisão de 3º lugar

Alemães comemoram o gol da vitória no final do 2º tempo

Não há muito o que falar sobre a decisão de 3º lugar de uma Copa. Normalmente é um jogo divertido de se assistir, com muitos gols, mas que não vale muito para os jogadores em campo.

O mais interessante é ver os times sem toda aquela tensão que marca os outros jogos da Copa. É a oportunidade de observar um pouco melhor as equipes e, mais uma vez, constatar o que deu errado para eles.

Percebemos que o Uruguai, apesar de toda a empolgação de seus jogadores, já havia chegado o mais longe possível nesta competição. Seu lugar é realmente entre os 4 melhores da Copa, mas não entre os 2 melhores.

Apesar da impecável performance de Forlán (e enquanto escrevo este post, já tenho a notícia de que Forlán foi eleito, com justiça, o melhor jogador da competição pela FIFA) e de ter uma defesa forte (mesmo jogando com 2 reservas na semi-final) , faltou ao Uruguai um goleiro mais confiante (Muslera não foi inseguro apenas neste jogo), faltou uma saída de bola com mais qualidade (Pérez beirou a perfeição na marcação, mas foi muito fraco na hora de iniciar as jogadas) e faltaram reservas em algumas posições. Quem sabe um pouco mais de ousadia do treinador em momentos decisivos (ou talvez a falta de reservas o tenha impedido de ser ousado… Difícil de dizer).

A Alemanha tinha o que faltava no Uruguai. Mesmo jogando com 4 reservas, fez uma boa partida e mostrou que poderia ter estado na final (apenas para perder mais uma vez para a Espanha, mas ainda assim, tinha qualidade para fazer um grande jogo) e, mais uma vez, mostrou que já está entre os favoritos da Copa de 2014.

Faltou ao bom técnico Joachim Löw um pouco mais de flexibilidade em seu esquema tático quando precisou fazer substituições ou mudar a cara do jogo (o que aconteceu na semi-final, quanto perdeu o suspenso Müller e jogou com Trochowski engessado pelo esquema tático e, quando percebeu que seu time estava dominado pela Espanha, não conseguiu mudar a cara do jogo com suas substituições).

Destaco como grandes destaques dessas seleções as defesas (Fucile, Lugano e Cáceres do lado uruguaio e Lahn, Mertesacker e Friedrich da Alemanha), no meio de campo Schweinsteiger foi a estrela maior da Copa, mas vale destacar o “cão de guarda” Pérez (fundamental para o esquema defensivo do Uruguai durante a Copa) e Özil (apesar de eu não concordar com o excesso de destaque dado a ele durante esta Copa. Foi uma revelação, um ótimo jogador jovem, mas ainda faltam algumas coisas para ser o grande craque que disseram que ele era. Coisas como confiança e preparo físico. Pois talento ele tem).

Dos jogadores de ataque, destaque obvio para Forlán (já falei muito dele no último mês – é o “Bola de Ouro” com muita justiça – sem ele o Uruguai não teria chegado a lugar nenhum). Suárez e Cavani funcionaram bem, mas Suárez precisa aprender a servir os companheiros ao invés de chutar todas as bolas para o gol (o Uruguai teria marcado muito mais gols nesta Copa se ele jogasse em conjunto). Müller, Podolski e Klose talvez tenham sido a melhor linha ofensiva desta Copa. Podolski tem que finalizar melhor (isso fez falta no jogo contra a Sérvia) e foi uma pena Klose não ter jogado esta última partida (estava contundido). Ele foi uma das maiores surpresas dessa Copa para mim!

Müller foi eleito a revelação da Copa e o “Chuteira de Ouro” (prêmio dado ao artilheiro da competição) com 5 gols e 3 assistências. Em uma Copa de poucos gols, Müller foi responsável por 8 deles em apenas 6 partidas. Melhor, por exemplo, do que a seleção espanhola inteira, que fez apenas 7 gols em seus 6 primeiros jogos (primeira fase até a semi-final). Impressionante!

Forlán lamenta uma bola na trave no último instante do jogo.

ALEMANHA 3X2 URUGUAI

Alemanha: Butt, Boateng, Mertesacker, Friedrich e Aogo; Khedira, Schweinsteiger, Müller e Özil (Tasci); Jansen (Kroos) e Cacau (Kiessling). Técnico: Joachim Löw.

Uruguai: Muslera, Fucile, Lugano, Godín e Cáceres; Pérez (Gargano), Arévalo Rios e Maxi Pereira; Forlán, Suárez e Cavani (Loco Abreu). Técnico: Oscar Tabárez.

Estádio: Nelson Mandela Bay (em Porto Elizabeth).
Data: 10/7/2010.
Horário: 15h30m.
Árbitro: Benito Archundia (México).
Assistentes: Hector Vergara (Canadá) e Marvin Torrentera (México).
Público: 36.254.
Gols: Müller, aos 19; Cavani, aos 28 do primeiro tempo. Forlán, aos cinco; Jansen, aos 11; Khedira, aos 37 do segundo.
Cartões amarelos: Aogo, Cacau e Friedrich (Alemanha); Pérez (Uruguai).

Copa do Mundo 2010: Dia 27, semi-final

Puyol marca de cabeça o único gol do jogo

E não é que não amarelou?! Muito pelo contrário: a Espanha fez hoje sua melhor partida na Copa.

O time ganhou muito com a saída do apagado Fernando Torres do time titular. O técnico Vicente del Bosque escalou em seu lugar Pedro, que jogou na ponta direita, Xavi continuou no centro e Iniesta foi deslocado para a ponta esquerda, enquanto Daivid Villa ficou na posição de centroavante (que era de Torres).

Pedro e Iniesta fizeram uma grande partida, enquanto Villa ficou mais apagado nesta nova função e, pela primeira vez na competição, não foi a estrela única do time. Finalmente vimos um time, com 11 jogadores de fato jogando em equipe!

Do lado alemão, a única alteração foi a entrada de Trochowski no lugar do suspenso Müller, o que não mudou muito na formação tática do time, mas perdeu um pouco da sua força ofensiva. Todavia, não podemos culpar a derrota pela falta deste jogador. A Espanha de fato dominou o jogo.

Jogo que teve poucas oportunidades de gol. Em especial no primeiro tempo, que, apesar de movimentado, mais parecia um jogo de xadrez, de tão cuidadoso que foi. Era o enfrentamento de duas formações táticas bem diferentes. Os até então eficientes alemães foram dominados pela lenta e meticulosa tomada de campo espanhola, que lembrou muito duas características da equipe campeã da Euro’08: posse de bola e jogadas em bloco (é impressionante como sempre há no mínimo 5 espanhóis em toda jogada, seja de ataque, seja de defesa).

Do outro lado, a Alemanha se espalha mais no campo e tentou jogar com mais velocidade e objetividade. Mesmo com a Espanha dominando o jogo durante quase todo o segundo tempo, os poucos ataques alemães deram trabalho ao goleiro espanhol Casillas.

Mas a posse de bola e a rápida troca de passes espanhola conteve os alemães que foram obrigados a passar boa parte do jogo defendendo-se. E defendendo-se com maestria: Friedrich e Schweinsteiger deram uma aula de como se defender com muita precisão e poucas faltas.

Defenderam-se tão bem que o gol só viria de uma bola parada: em uma cobrança de escanteio Puyol, que estava posicionado fora da área, entrou correndo e apareceu de surpresa dando uma cabeçada fulminante, sem chances para o goleiro Neuer.

Depois disso a Alemanha tentou sair para o ataque e a Espanha ainda teve mais algumas chances de contra-ataque para liquidar a partida, mas não aproveitou. Em uma dessas oportunidades, Pedro foi “fominha” e desperdiçou uma oportunidade extraordinária. Foi substituído logo em seguida e, caso não seja escalado para a final, será por culpa deste momento de imaturidade.

A Alemanha é mais um time que cai de pé nesta Copa, lutando até o último minuto. Espero que o time e seu treinador sejam reconhecidos por isso em seu país, pois este é apenas o resultado parcial de um excelente trabalho de longo prazo: Joachim Löw está na seleção desde 2004, quando foi auxiliar do técnico Klinsman, no início da formação desta equipe. Boa parte dos jogadores titulares jogou a Copa de 2006 (caíram também na semi-final, tomando dois gols da Itália no último minuto da prorrogação e terminando a Copa em 3º lugar) e continuarão na equipe para a Copa de 2014, afinal, são bastante jovens: à exceção de Friedrich e Klose, todos os titulares chegarão em 2014 com menos de 30 anos de idade e estarão certamente entre os maiores candidatos ao título!

Com a derrota, resta aos alemães buscar mais um 3º lugar e, quem sabe, ajudar Klose a alcançar Ronaldo na artilharia da história das Copas (só falta 1 gol).

Os espanhóis enfrentarão agora o time mais parecido com eles mesmos nesta competição. Os holandeses distribuem-se em campo e compartilham de táticas e conceitos de jogo muito similares aos da Espanha: posse de bola e movimentação em bloco. Será um jogo muito equilibrado e eu não me surpreenderei se tivermos mais uma final decidida nos pênaltis.

A defesa espanhola leva uma pequena vantagem sobre a holandesa (em especial na linha de impedimento: há alguns jogos chamo a atenção para um buraco que se forma no meio da defesa holandesa, lá onde o Robinho entrou para fazer o gol brasileiro nas quartas e onde Vittek entrou 3 vezes nas oitavas e acabou sofrendo um pênalti). Mas o ataque holandês tem sido mais eficiente.

Ambas as equipes lutarão pela posse de bola e as jogadas serão todas trabalhadas, até mesmo lentas. O meio de campo congestionado dificultará o andamento da partida em alguns momentos. Mas isso não deve ser um grande problema: ambas as equipes têm grandes jogadores e um toque de bola de muita qualidade.

Veremos nesta final algumas das maiores estrelas neste mundial. Afinal, se Cristiano Ronaldo, Kaká e Rooney desapontaram, Sneijder, Robben, David Villa e Iniesta têm surpreendido. Se algum deles estiver iluminado nesta final, seu time abrirá uma vantagem muito difícil de ser superada.

Schweinsteiger lamenta a derrota

ALEMANHA 0X1 ESPANHA

Alemanha: Neuer, Lahm, Friedrich, Mertesacker e Boateng (Jansen); Schweinsteiger, Khedira (Mario Gomez) e Özil; Trochowski (Kroos), Klose e Podolski. Técnico: Joachim Löw.

Espanha: Casillas, Sergio Ramos, Piqué, Puyol e Capdevila; Xabi Alonso (Marchena), Busquets, Xavi e Iniesta; Villa (Torres) e Pedro (David Silva). Técnico: Vicente del Bosque.

Estádio: Moses Mavhida, Durban (AFS).
Data: 07/07/2010.
Árbitro: Viktor Kassai (HUN).
Assistentes: Gabor Eros (HUN) e Tibor Vamos (HUN).
Público: 60.960.
Gol: Puyol, aos 27 minutos do segundo tempo.
Cartões amarelos: nenhum.

Copa do Mundo 2010: Dia 26, semi-final

Holandeses comemoram a vaga na final

A Holanda está mais mecânica que nunca. Não estou comparado este time à “Laranja Mecânica” dos anos 70, famosa por seu futebol criativo, ofensivo e que surpreendia seus adversários com seu excelente toque de bola. Está mecânica como uma máquina: forte, bem montada, porém previsível.

Iniciou o jogo abafando o Uruguai em seu campo de defesa (como em todos os jogos desta Copa). Deu a impressão (como de costume) de que seria um massacre, mas encontrou uma defesa muito bem organizada, que não deu espaço para nenhum jogador do ataque holandês se destacar.

Um dos pontos mais criticados desta seleção holandesa são seus volantes, pois o time mantém a tradição ofensiva da “Laranja Mecânica” (afinal, são 4 jogadores de qualidade no ataque) o que falta aqui é o apoio dos volantes de outros tempos como Seedorf, Davids ou Rijkaard. Este time (considerado “pragmático” por todos e “defensivo” pelos idiotas) tem o eficiente Van Bommel, que é um bom jogador mas que destaca-se mais como meia defensivo do que seus antecessores, mas sabe dar início às jogadas e movimentação ao meio de campo, apesar de raramente avançar para o ataque.

Os laterais também têm esta característica. O apoio ao ataque nunca foi a maior virtude de Van Bronckhorst (muitas vezes escalado como zagueiro e não como lateral). Talvez por isso ele tenha encontrado espaço no meio do sistema defensivo uruguaio para arrematar uma surpreendente bola de fora da área e marcar o golaço que colocou a Holanda na frente.

Mas a máquina holandesa sempre caí de rendimento na metade do primeiro tempo. Por volta dos 30′ o Uruguai tomou o controle do jogo e a estranha formação do “MaestroTabárez começou a se mostrar eficiente. Sem poder contar com o contundido Lugano e os suspensos Fucile e Suáres, o técnico uruguaio mexeu em quase todo o time. Sem poder contar com seu principal homem de área, preferiu reforçar o meio de campo e tentar surpreender os holandeses, roubando sua preciosa posse de bola.

E a tática deu certo: assim como a Holanda, o Uruguai trabalhou a bola até encontrar uma boa oportunidade: Forlán também surpreendeu o goleiro Stekelenburg ao mandar um chute cheio de curva de fora da área aos 41′. O Uruguai foi para o intervalo controlando um jogo e empolgado com o empate.

E os uruguaios dominaram o segundo tempo com uma eficiente marcação por pressão durante mais de 20 minutos, rondando a área holandesa, mas levaram pouco perigo.

Em uma jogada isolada, aos 25′, Sneijder chutou uma bola da entrada da área que desviou em um zagueiro, enganando o goleiro Muslera, que, não bastasse isso, foi atrapalhado pelo impedido Van Persie. A bola entrou lentamente no canto do gol, fora do alcance do goleiro uruguaio. Fiquei esperando a anulação do gol que não veio. O bandeirinha do Cazaquistão não marcou o impedimento e confirmou o gol: 2×1.

Essa é outra característica deste time mecânico: nunca os subestime ou os dê por vencidos. Podem se retrair durante o andamento da partida, mas sempre têm força para mais um ataque e sabem se aproveitar das oportunidades.

Enquanto o Uruguai ainda engolia o gol de Sneijder e tentava retomar o controle do jogo, a Holanda chegou ao ataque novamente. Desta vez a (até então perfeita) defesa uruguaia cometeu seu primeiro e doloroso erro: ninguém marcou Kuyt (outra constante nessa Copa: com tanta atenção dispensada a Robben, Sneijder e Van Persie, o competente Kuyt acaba muitas vezes esquecido pela marcação) que teve tempo de matar a bola, olhar para a área e cruzar na cabeça de Robben, que não deu chance para Muslera. 3×1.

O jogo parecia perdido. O Uruguai passou alguns minutos errando passes simples e abrindo espaço para o contra-ataque dos europeus. Tabárez tomou a difícil decisão de trocar seu ataque inteiro, tirando o exausto (ou seria desanimado?) Forlán. Lentamente o Uruguai voltou a dominar a posse de bola e partir para o ataque da mesma forma que vinha fazendo.

Era obvio que não havia tempo para uma reação. Mas quando Maxi Pereira marcou aos 47′ do 2º tempo,o filme da heróica classificação no último instante para esta semi-final deve ter passado na cabeça de todos. O jogo ainda não havia acabado! Os uruguaios deixaram de lado qualquer organização e passaram a lançar qualquer bola na área holandesa. Os holandeses não conseguiam pará-los.

A empolgação era tanta que até o árbitro se rendeu: o jogo que deveria ir até os 48′ foi até os 50′. De repente, um jogo estava perdido havia 19 minutos voltava a ser viável. Seria histórico! Seria como a mão de Soáres no último instante das quartas.

Mas não foi. O Uruguai fez tudo o que podia, mas não teve forças para chegar na final. Uma pena. Eu estava torcendo por eles.

Toda Copa do Mundo eu adoto um time para torcer. Seja pelo que fizeram durante o torneio, seja por alguma estranha preferência minha anterior à Copa. Curiosamente, meus times adotivos sempre dão um colorido muito especial para as competições, mas nunca vi nenhum deles chegar a uma final e suas derrotas são sempre difíceis, heróicas e doloridas.

Foi assim com Camarões em 1990 (quartas-de-final, adotados por mim logo no jogo de estréia);
Com a Bulgária em 1994 (caiu na semi-final, mas confesso que só comecei a torcer por eles nas quartas);
O mais dolorido de todos foi a Croácia, em 1998 (caiu na semi, de virada. Comecei a torcer por eles ainda na Euro’96);

Senegal 2002
(mesma história de Camarões ’90: descobri-os no jogo de estréia e caíram nas quartas);
Portugal 2006
(sempre torço por eles pois tenho descendência lusitana, mas em 2006 foi a única vez que acreditei que eles poderiam realmente chegar em algum lugar. Caíram na semi);

Agora, junta-se a este grupo o Uruguai de 2010. Me empolguei com as possibilidades deles na Copa quando vi o que Forlán era capaz de fazer na final da Liga Europa deste ano. Passei a torcer por eles logo no primeiro jogo da Copa e o time foi me conquistando cada vez mais.

Uruguaios agradecem o apoio da torcida no final do jogo

HOLANDA 3X2 URUGUAI

Holanda: Stekelenburg, Boulahrouz, Heitinga, Mathijsen e Van Bronckhorst; Van Bommel, De Zeeuw (Van der Vaart), Robben (Elia), Sneijder e Kuyt; Van Persie. Técnico: Bert Van Marwijk.

Uruguai: Muslera, Maxi Pereira, Godín, Victorino e Cáceres; Perez, Arévalo Rios, Gargano e Álvaro Pereira (Loco Abreu); Forlán (Fernández) e Cavani. Técnico: Oscar Tabárez.

Estádio: Green Point (na Cidade do Cabo).
Data: 6/7/2010.
Horário: 15h30m.
Árbitro: Ravshan Irmatov (Uzbequistão).
Assistentes: Rafael Ilyasov (Uzbequistão) e Bakhadyr Kochkarov (Cazaquistão).
Público: 62.479.
Gols: Van Bronckhorst, aos 18; Forlán, aos 41 do primeiro tempo. Sneijder, aos 25; Robben, aos 28, Maxi Pereira, aos 47 do segundo.
Cartões amarelos: Maxi Pereira, Caceres (Uruguai), Sneijder, Boulahrouz (Holanda).

Copa do Mundo 2010: Dia 23, quartas-de-final

Defesa argentina no chão só observa Klose marcar seu 4º nesta Copa

Um dia desses, comentei aqui que Maradona já podia perder e voltar pra casa com sua missão cumprida, pois já tinha trazido alguma graça para a Copa e apagado a imagem de incompetente crônico que havia deixado nas eliminatórias. Mas não podia ter saido assim!

Desde o primeiro jogo da Argentina nessa Copa, todos perceberam que o ótimo ataque teria que compensar a péssima defesa e que os jogadores teriam que compensar em campo a desorganização tática de seu treinador. E eles vinham conseguindo superar estas deficiências até aqui.

A partida começou animada, com um gol alemão logo aos 3´do 1º tempo. Mais um gol do jovem Müller, que entra na disputa pela artilharia da Copa.

Mesmo mantendo o jogo equilibrado, ficou claro ainda no decorrer do 1º tempo que a Argentina precisava de alguma mudança para chegar à vitória. Tevez, Di Maria e Messi faziam uma boa partida, mas a simpática desorganização tática argentina que havia funcionado contra equipes mais fracas, esbarrava na perfeição tática alemã. Messi pegava a bola e driblava um, dois, três marcadores, mas nenhum argentino se aproximava  para ajudá-lo, só apareciam mais alemães fechando seu espaço. A conclusão era o desarme do argentino ou um chute prensado que não assustava o bom goleiro Neuer.

Imaginei que, no 2º tempo Maradona voltaria com algumas substituições feitas. Tiraria Tevez (que apesar de sua habilidade e vontade, também tinha como marca nesta Copa seu cansaço físico e queda de produção no 2º tempo) ou algum meia (como Maxi Rodriguez, o mais apagado deles) e entraria com Verón (que organizaria o meio de campo, tabelaria com Messi e faria bons lançamentos para os atacantes) ou com Agüero (opção mais ofensiva, para trazer dribles e toque de bola para mais próximo do gol alemão). Mas não. Não fez nada.

O 2º tempo passava. 15 minutos, nada muda. Aos 22′, gol de Klose: Alemanha 2×0. Aí Maradona resolve mudar. Com tantas opções ofensivas sentadas em seu banco, “El Pibe de Oro” escolhe tirar seu lateral direito Otamendi e colocar seu “talismãPastore.

Como é?

Isso mesmo! Nem Verón, nem Milito, nem Agüero, nem PalermoPastore!

Resultado: gol da Alemanha! Jogada de Schweinsteiger (exatamente no buraco deixado pelo substituído Otamendi) cruzamento para a área e Friedrich faz 3×0. Aí sim, Maradona coloca Agüero no lugar do exausto Di Maria. Perdendo de 3×0 e faltando 15′ para acabar o jogo. Acho que não vai resolver muita coisa…

Miroslav Klose, que não tem nada a ver com os dramas argentinos, ainda faz 4×0 no final. Seu 2º gol neste jogo. Seu 4º nesta Copa. Seu 14º na história das Copas. Empatou com o alemão Gerd Müller e está a apenas 1 gol de se igualar a Ronaldo como o maior artilheiro da história das Copas!

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ARGENTINA 0X4 ALEMANHA

Argentina: Romero, Otamendi (Pastore), Demichelis, Burdisso e Heinze; Mascherano, Maxi Rodríguez e Di Maria (Agüero); Messi, Tevez e Higuaín. Técnico: Diego Maradona.

Alemanha: Neuer, Lahm, Mertesacker, Friedrich e Boateng (Jansen); Khedira (Kroos), Schweinsteiger, Özil e Müller (Trochowski); Podolski e Klose. Técnico: Joachim Löw.

Estádio: Green Point (na Cidade do Cabo).
Data: 3/7/2010.
Horário: 11h. Árbitro: Ravshan Irmatov (Uzbequistão).
Assistentes: Rafael Ilyasov (Uzbequistão) e Bakhadyr Kochkarov (Cazaquistão). Público: 64.100.
Gols: Müller, aos três do primeiro tempo. Klose, aos 23, Friedrich, aos 29, Klose, aos 44 do segundo.
Cartões amarelos: Otamendi, Mascherano (Argentina) e Müller (Alemanha).

Cardozo chora copiosamente a eliminação do Paraguai

O Paraguai tentou, lutou, teve as chances que precisava, mas acabou derrotado pela Espanha. Ficou claro que a boa equipe paraguaia avançou até onde suas forças permitiam.

Apesar da arbitragem conturbada (nem vale  a pena ficar lembrando do gol anulado, dos pênaltis marcados, dos não marcados e repetidos) o Paraguai perdeu no campo. Teve chances de sair na frente, de reverter a situação, mas não conseguiu aproveitá-las.

Fica a campanha histórica da melhor equipe que este país já teve, que chegou em uma inédita fase de quartas-de-final e que caiu de pé, jogando de igual para igual contra uma das equipes mais badaladas desta Copa, a Espanha.

Histórico porém doloroso. Cardozo (assim como Gyan, no jogo entre Gana x Uruguai) teve a bola do jogo: uma cobrança de pênalti (sua especialidade) mas bateu mal e Casillas defendeu. O paraguaio ainda controlou-se e continuou jogando até o final do jogo, quando se desfez em lágrimas, provavelmente culpando-se pela oportunidade perdida.

Espanha que também faz uma campanha histórica: já igualou sua melhor campanha na história das Copas: o 4º lugar de 1950! Vai ser difícil a Fúria não se render à euforia e amarelar (mais uma vez) nos próximos jogos.

Apesar do jogo difícil, esta foi a melhor apresentação espanhola nesta Copa. A maioria de seus jogadores já está rendendo algo próximo do que se esperava deles, mas ainda há um enorme problema no grupo: Fernando Torres. Parece que ele ainda não se recuperou completamente da contusão que quase o deixou fora desta Copa, o que é um problema para um jogador que depende tanto de sua força física e velocidade. Continua a ser completamente invisível em campo e não chega nem perto de assustar a defesa adversária.

Talvez pensado nisso, o treinador Vicente del Bosque experimentou uma nova formação, tirando o “senhor celofane” Fernando Torres e colocando Fábregas em seu lugar. Desta forma, David Villa tornou-se o único atacante do time (tornou-se?!), deixando a ponta esquerda e colocando-se no centro da área. Iniesta foi deslocado para a esquerda enquanto Fábregas alternava com Xavi entre o centro e a ponta direita. Apesar de Fábregas também não ser nem sombra do que estamos acostumados a ver no Arsenal, o time pareceu render mais desta forma, dando mais destaque a Villa e, finalmente, marcando o gol que lhes daria a vitória contra o Paraguai.

Gol de quem? Villa! Fez 5 dos 6 gols marcados pela Espanha nesta Copa (o 6º gol foi de Iniesta, mas com passe de Villa).

A Espanha enfrenta agora a Alemanha, repetindo a final da Euro’08. Os times vão entrar em campo com escalações muito parecidas com as daquela final, mas vivem situações opostas: em 2008, a Espanha chegou àquela final como o melhor time da competição, enquanto a jovem equipe Alemanha chegava à base da superação. Os resultados dos jogos de hoje mostram que as coisas mudaram e a (ainda jovem) Alemanha leva uma pequena vantagem neste confronto.

Obs.: Observei antes das quartas que poderíamos ter uma “Mini Copa América” nas semi-finais.Mas, o resultado foi bem diferente disso: temos uma “Quase Euro”: são 3 europeus contra apenas 1 sul-americano.

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PARAGUAI 0X1 ESPANHA

Paraguai: Villar; Verón, Da Silva, Alcaráz e Morel Rodriguez; Victor Cáceres (Barrios), Santana, Barreto (Vera) e Riveros; Cardozo e Valdez (Santa Cruz). Técnico: Gerardo Martino.

Espanha: Casillas; Sergio Ramos, Piqué, Puyol (Marchena) e Capdevilla; Xabi Alonso (Pedro), Busquets, Xavi e Iniesta; Villa e Torres (Fabregas). Técnico: Vicente del Bosque.

Estádio: Ellis Park, Joanesburgo (AFS).
Data: 03/07/2010.
Árbitro: Carlos Batres (GUA).
Assistentes: Leonel Leal (CRC) e Carlos Pastrana (HON).
Gol: Villa, aos 38 minutos do segundo tempo.
Cartões amarelos: Piqué, Sergio Ramos (ESP), Alcaraz, Victor Cáceres e Morel Rodriguez (PAR).

Copa do Mundo 2010: Dia 22, quartas-de-final

Ponto final no jogo: com 10 em campo o Brasil se perdeu de vez

Holanda 2×1 Brasil foi, pela primeira vez na história desse confronto, um jogo de defesa x defesa. O jogo foi decidido mais pelos erros das defesas bem montadas do que pelos ataques, que ficaram em segundo plano no esquema dos dois treinadores.

A Holanda começou abafando o Brasil em seu campo, marcando principalmente as saídas de Lúcio e os passes curtos dos volantes brasileiros. Mas isso não durou nem 10 minutos. Logo os brasileiros encontraram a saída (bolas longas) e passaram a dominar o jogo. E assim foi o primeiro tempo.

O domínio brasileiro resultou em apenas um gol de vantagem, em um inesperadamente bom lançamento de Felipe Melo para Robinho, que aproveitou um buraco na defesa holandesa (aquele, ao qual me referi no post sobre o jogo Holanda 2×1 Eslováquia).

O questionado Felipe Melo encontrava sua redenção e calava seus críticos, assim como Branco havia feito no longínquo ano de 1994 quando foi para a Copa como “homem de confiança” de Parreira sob todas as críticas do mundo. Branco era reserva de Leonardo na lateral esquerda, até que este foi expulso nas oitavas e abriu espaço para Branco estrear nas quartas, justamente contra a Holanda. Uma única jogada (uma cobrança de falta no final do 2º tempo) tornou o vilão em herói e titular incontestável até o final do torneio.

Essa seria a história de Felipe, se o jogo acabasse aos 45′, e não aos 90′.

Logo aos 8´minutos do 2º tempo, a história começou a ser reescrita. Reescrita por um erro de onde menos se esperava: a defesa brasileira.

Todos acreditavam que a seleção poderia encontrar dificuldades em criar boas jogadas ofensivas na Copa, mas ninguém questionava a forte e segura defesa brasileira. Por isso foi surpreendente ver o seguro Julio Cesar sair mal em um cruzamento de Sneijder e esbarrar em Felipe Melo, que acabou desviando a bola para a própria meta. Gol contra! 1×1.

A partir daí a Holanda tomou conta do jogo e passou a pressionar cada vez mais o Brasil.

Robben, muito marcado, não produzia nada. Na verdade, não produzia nada de construtivo, mas muito de destrutivo: responsável por segurar 3 (e as vezes mais) jogadores brasileiros em sua marcação, abria espaço para Sneijder jogar. Robben ainda rendeu um cartão amarelo para seu marcador Michel Bastos, muita dor de cabeça para o homem da sobra (Juan) e ainda infernizou seu segundo marcador Felipe Melo.

Em uma cobrança de escanteio, a defesa brasileira esqueceu de marcar o baixinho Sneijder (1,70m) que nem precisou pular para marcar de cabeça (sozinho, dentro da pequena área) o segundo gol holandês.

A seleção brasileira ficava cada vez mais descontrolada! Como um jogo praticamente ganho no 1º tempo poderia sofrer um revés desses?!

Robben continuava infernizando seus marcadores. Apesar de não ter sequer chutado a gol uma única vez, todo toque que ele dava na bola resultava em falta (as vezes real, as vezes simulada) e irritava mais e mais seus marcadores. Até que o mais esquentado deles perdeu o controle: de forma completamente desnecessária e desleal, Felipe Melo pisou na coxa esquerda dele (local onde sabidamente o holandês sofrera uma contusão que quase lhe deixou fora do mundial). Dissimulado, ainda tentou levantá-lo do chão rindo e sugerindo que havia sido uma simulação do atacante.

De herói no 1º tempo a vilão desleal no 2º, Felipe acabou expulso e o jogo terminou para os brasileiros. Sem opções no banco e com um jogador a menos em campo, Dunga não teve muito o que fazer a não ser torcer.

Em campo, o jogo tomou ares de surrealismo, com uma seleção brasileira visivelmente desnorteada e uma seleção holandesa perdendo oportunidades absurdamente claras de gol. E assim foi até o último instante.

E agora a Holanda enfrenta o Uruguai, enquanto o Brasil tenta entender o que aconteceu.

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HOLANDA 2X1 BRASIL

Holanda: Stekelenburg, Van der Wiel, Heitinga, Ooijer e Van Bronckhorst; Van Bommel, De Jong, Sneijder e Kuyt; Van Persie (Huntelaar) e Robben. Técnico: Bert van Marwijk.

Brasil: Julio Cesar, Maicon, Lúcio, Juan e Michel Bastos (Gilberto); Gilberto SIlva, Felipe Melo, Daniel Alves e Kaká; Robinho e Luis Fabiano (Nilmar). Técnico: Dunga.

Estádio: Nelson Mandela Bay (em Porto Elizabeth).
Data: 02/07/2010.
Árbitro: Yuichi Nishimura (JAP).
Assistentes: Toru Sagara (JAP) e Jeong Hae-Sang (COR).
Gols: Robinho, aos dez minutos do primeiro tempo; Felipe Melo (contra), aos oito, e Sneijder, aos 22 minutos do segundo tempo.
Cartão amarelo: Heitinga, Van der Wiel, De Jong, Ooijer (Holanda); Michel Bastos (Brasil).
Cartão vermelho: Felipe Melo (Brasil).

No último segundo: a bola passa por Fucile, mas Suáres mete as duas mãos na bola e vira herói do Uruguai

Foram 120 minutos de equilíbrio e chance para os dois lados. Gana queria ser o primeiro país africano a chegar às semi-finais na história da Copa, enquanto o Uruguai queria voltar à elite do futebol. Nenhuma das equipes parecia disposta a abrir mão desta oportunidade.

Mas nada disso importa. Tudo isso será esquecido. Porque no último instante de jogo, já nos acréscimos do 2º tempo da prorrogação, Gana cobra uma falta na entrada da área. O goleiro uruguaio falha, a boa rebate, Appiah chuta, Suáres tira com o pé, em cima da linha. A bola volta e Mensah cabeceia. Fucile tenta cortar, mas não consegue. Suáres mete a mão na bola e tira novamente, em cima da linha.

Não há dúvida: pênalti e cartão vermelho pro uruguaio que sai de campo chorando. Mas ele não tinha outra saída: era o cartão vermelho ou o fim do jogo.

Gyan, um dos grandes jogadores dessa Copa vai bater o pênalti. Mais um pênalti, afinal, este é o 3º que bate nesta Copa. Mas chuta no travessão! Gyan perde a bola do jogo! E o Uruguai calou as vuvuzelas pela segunda vez nessa Copa.

Suáres, que estava entrando no vestiário, vê a batida, para de chorar e comemora! Sua expulsão havia dado a chance de seus companheiros tentarem vencer nos pênaltis!

Pensando bem, foi uma injustiça extraordinariamente grande o que aconteceu com Gana! Mas aconteceu dentro das regras… É injusto, mas não há o que fazer.

Nas cobranças, os uruguaios foram perfeitos. Os ganeses não. O goleiro Muslera pegou duas cobranças e tornou Suáres no herói da Copa para os uruguaios. Herói por tomar um cartão vermelho.

Agora, Uruguai vai enfrentar a Holanda na semi-final. Mas vai desfalcado de alguns dos principais jogadores no esquema do Maestro” Tabárez: Suáres (por sua mão na bola salvadora) e o lateral esquerdo Fucile (tomou o 2º cartão amarelo). Sem falar no capitão Lugano, que saiu contundido no primeiro tempo e ainda não há como saber se terá condições de jogar.

Os uruguaios terão que se superar ainda mais se quiserem seguir em sua caminhada rumo ao Tri!

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URUGUAI (4) 1X1 (2) GANA

Uruguai: Muslera, M. Pereira, Lugano (Scotti), Victorino e Fucile; Pérez, Arévalo Rios e Fernández (Lodeiro); Forlán, Suáres e Cavani (Loco Abreu). Técnico: Oscar Tabárez.

Gana: Kingson, Pantsil, Vorsah, Mensah e Sarpei; Annan, Inkoon (Appiah), Asamoah, Prince e Muntari (Adiyiah); Gyan. Técnico: Milovan Rajevac.

Estádio: Soccer City (em Joanesburgo).
Data: 2/7/2010.
Horário: 15h30m.
Árbitro: Olegário Benquerença (Portugal).
Assistentes: José Cardinal (Portugal) e Bertino Miranda (Portugal).
Público: 84.017.
Gols: Muntari, aos 46 do primeiro tempo; Forlán, aos 10 do segundo.
Pênaltis: Forlán, Gyan, Victorino, Appiah, Scotti, (Mensah, Pereira e Adiyiah perderam) e Loco Abreu.
Cartões amarelos: Fucile, aos 19 do primeiro tempo. Arévalo Rios, aos três, Pantsil, aos oito, Pérez, aos 14, Sarpei, aos 31 do segundo.

Copa do Mundo 2010: Dia 19, oitavas-de-final

Momento em que Cardozo bate o último pênalti

Qualquer resultado seria histórico. Tanto Paraguai quanto Japão jamais haviam passado das oitavas-de-final de uma Copa antes. E para as duas seleções parecia a chance certa: nunca haviam chegado em uma Copa com um time tão forte e não havia favoritos entre os dois. A classificação estava ao alcance de ambos!

Mas, para a chateação do público, nenhum dos dois tentou vencer a partida. Vimos dois times mais assustados com a possibilidade da derrota, defendendo-se bem e seguindo à risca a tática imposta por seus treinadores.

A emoção do jogo ficou por conta dos olhos dos torcedores, que sofreram junto com os jogadores por 120 minutos de exaustão física, mas sem nenhum gol. Foi justamente da exaustão física das defesas e dos ataques que surgiram as chances de gol e seu conseqüente desperdício na prorrogação.

O jogo acabou empatado em zero mesmo e a decisão foi para a primeira disputa por pênaltis desta Copa. Parecia ser este mesmo o objetivo dos dois técnicos o tempo todo. O técnico japonês Takeshi Okada até pediu desculpas aos torcedores por não ter permitido que seus jogadores fossem mais ousados durante a partida.

Tem razão em se desculpar, pois o Japão deixa a Copa cedo de mais. Okada tinha uma grande equipe com o goleiro Kawashima (que beirou a perfeição nesta Copa), a excelente dupla de zaga Nakazawa & Túlio Tanaka e suas grandes estrelas: Matsui, Endo e Honda. Formaram um excelente time que merecia melhor sorte nesta Copa.

Até na cobrança de pênaltis houve equilíbrio. Todos bateram muito bem (até mesmo Komano, único a perder o gol mandando a bola no travessão, bateu bem). O goleiro japonês quase pegou as 2 primeiras batidas paraguaias, mas Barreto e Lucas Barrios chutaram com muita força e no canto. Não Havia como pegar mesmo. Cardozo fechou a série com a frieza que lhe é característica (afinal, não é a toa que é o batedor oficial de pênaltis e faltas em seu clube, o campeão português Benfica).

Enquanto os japoneses voltam para casa, o Paraguai continua fazendo uma Copa sem maiores dramas. Até agora cumpriu à risca aquilo que havia planejado. Classificou-se jogando bem em seu grupo e alcançou a inédita fase das quartas-de-final. Agora enfrentará a Espanha e, pela primeira vez na competição, precisará mostrar alguma superação se quiser continuar em sua campanha histórica. Certamente sentirão mais falta de seu artilheiro Cabañas, um dos principais responsáveis pelo êxito nas eliminatórias. (Cabañas foi vítima da violência urbana, baleado na cabeça durante um assalto no início do ano. Não morreu mas, obviamente não teve condições de disputar o mundial).

Será que o técnico argentino Gerardo Martino irá montar um ferrolho para levar o Paraguai à disputa para os pênaltis de novo? Ou vai fazer como seu compatriota “Loco” Bielsa fez no jogo do Chile contra o Brasil e lançar seus jogadores ao ataque? (Eu aposto na primeira opção).

Obs.: Pela primeira vez na história, a América do Sul levou 4 times para as quartas-de-final (contra 3 europeus e 1 africano) e tem a possibilidade (remota) de repetir o feito da Europa, que na última Copa do Mundo fez as semi-finais apenas com times de seu continente (Alemanha x Itália e França x Portugal). Podemos ter este ano Brasil x Uruguai e Argentina x Paraguai.

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PARAGUAI (5) 0X0 (3) JAPÃO

Paraguai: Villar; Bonet, Da Silva, Alcaraz e Morel Rodriguez; Ortigoza (Barreto), Vera, Riveros e Benitez (Valdez); Lucas Barrios e Santa Cruz (Cardozo). Técnico: Gerardo Martino.

Japão: Kawashima, Komano, Nakazawa, Túlio Tanaka e Nagatomo; Abe (Nakamura), Matsui (Okazaki), Endo, Hasebe; Okubo (Tamada) e Honda. Técnico: Takeshi Okada.

Estádio: Loftus Versfeld, Pretória (AFS).
Data: 29/06/2010.
Árbitro: Jerome Bleeckere (BEL).
Assistentes: Peter Hermans (BEL) e Walter Vromans (BEL).
Gols (pênaltis): Barreto, Endo, Lucas Barrios, Hasebe, Riveros, (Komano errou), Valdez, Honda e Cardozo.
Cartões amarelos: Mitsui, Nagatomo, Honda, Endo (JAP) e Riveros (PAR).

David Villa, de novo

Mais uma vez, o técnico português Carlos Queiroz entrou em campo com uma formação diferente. Mas dessa vez ele se confunfiu: pensou que era técnico da Suíça.

Inspirado no ferrolho que acalmou a Fúria na primeira fase, posicionou todos os seus jogadores antes do meio de campo, não deixando espaço para a Espanha levar a bola até seu gol. Mas a Espanha chegou: durante os primeiros 20 minutos de jogo vimos um massacre espanhol, dando a impressão de que seria um jogo fácil. Não fosse pelo excelente goleiro Eduardo, Portugal deixaria a Copa com uma bela goleada de lembrança.

No final do primeiro tempo a Espanha cansou e deu espaço para Portugal criar algumas jogadas. Foi a vez de Cristiano Rolando. A vez dele decepcionar de novo. Apagado como sempre e mal posicionado, o capitão da seleção portuguesa parecia se esconder da bola e, quando a bola o encontrava, ele chutava a gol (não importa onde ele ou seus companheiros estivessem posicionados). Como sempre, não foi nem sombra do que é em seu clube. Assim como Simão, que creio nem ter encostado na bola.

Com a ausência de Ronaldo e Simão, outros jogadores portugueses assumiram a responsabilidade, tais como o já citado goleiro Eduardo, o volante Tiago e o jovem lateral Fábio Coentrão.

Mas, obviamente, não era o bastante para superar a Espanha, que a cada jogo que passa, parece despertar mais alguns jogadores de seu sono profundo.

David Villa já é a grande estrela da companhia. Piqué e Sergio Ramos já vinham rendendo bastante. Mas neste jogo vimos o despertar de Xavi e Iniesta, que também jogaram bem. Fernando Torres se esforçou um pouco mais, mas está claro que ainda não se recuperou completamente de sua contusão. Seu reserva, Llorente fez muito mais em campo.

A Espanha voltou para o segundo tempo melhor e resolveu o jogo aos 17 minutos com um gol de (obviamente) David Villa.

Vale observar que Villa estava em uma posição duvidosa na jogada do gol. Mas, ao que parece, a FIFA resolveu acabar com os problemas de erro de arbitragem (que se tornaram o centro desta Copa do Mundo) de uma forma pouco ortodoxa: acabando com a informação! Ao contrário do que vinha sendo feito, a geradora oficial de imagens não repetiu a jogada com câmeras em ângulos onde se vê com mais clareza a posição do jogador. Nem usou o “tira-teima” que vinha usando em todos os jogos. Deixou para as redes de tv descobrirem sozinhas se havia ou não impedimento na jogada.

(A propósito, não houve impedimento. Villa estava na mesma linha que a defesa portuguesa. Mostrar isso só daria mais credibilidade à decisão do árbitro… Mandou bem FIFA!)

Depois do gol a Espanha entrou em ritmo de “já ganhou” e Portugal permaneceu no ritmo de “já perdeu“. E esta foi a melancólica despedida da seleção responsável pela maior goleada da Copa.

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ESPANHA 1X0 PORTUGAL

Espanha: Casillas, Sergio Ramos, Puyol, Piqué e Capdevila; Busquets, Xabi Alonso (Marchena), Xavi e Iniesta; Torres (Llorente) e Villa (Pedro). Técnico: Vicente del Bosque.

Portugal: Eduardo, Ricardo Costa, Ricardo Carvalho, Bruno Alves e Coentrão; Pepe (Pedro Mendes), Tiago e Raul Meireles; Simão (Liedson), Hugo Almeida (Danny) e Cristiano Ronaldo. Técnico: Carlos Queiroz.

Estádio: Green Point (Cidade do Cabo).
Data: 29/06/2010.
Árbitro: Hectos Baldassi (ARG).
Assistentes: Ricardo Casas (ARG) e Hernán Maidana (ARG).
Público: 62.955.
Gols:
Villa, aos 17 minutos do segundo tempo.
Cartões amarelos: Xabi Alonso (Espanha); Tiago (Portugal).
Cartão vermelho: Ricardo Costa (Portugal).

Copa do Mundo 2010: Dia 18, oitavas-de-final

Robben abre o placar logo aos 18 minutos de jogo

A Eslováquia chegou às oitavas mais pela falta de vontade Itália do que por méritos próprios. Mas mesmo assim fez um jogo bom contra a Holanda hoje. Bem diferente do péssimo empate contra a Nova Zelândia, da modorrenta derrota para o Paraguai e com mais segurança do que na surpreendente vitória sobre a Itália. Mas ainda assim trata-se de um time limitado de mais para desbancar a Holanda.

Ainda mais a Holanda de Robben! É impressionante como o time melhora com o ponta direita em campo. Jogador de muita habilidade e muito objetivo em campo, ele colocou o time na frente logo aos 18´ do 1º tempo, ao receber um impressionante lançamento de Sneijder que cruzou o campo todo até encontrá-lo bem posicionado para fazer sua jogada mais que manjada (porém fatal): drible no zagueiro cortando para o centro da área e chute com o pé esquerdo. 1×0.

A Eslováquia fez o que podia, mas não podia muito mesmo. Arriscou alguns chutes de fora da área, mas foi só.

No segundo tempo, a nervosa seleção eslovaca deixou os holandeses liquidarem o jogo: em uma bobeada do zagueiro Skrtel que, ao invés de marcar Kuyt, ficou reclamando da marcação de uma falta com o juiz. O holandês entrou sozinha na área e entregou o gol para Sneijder. 2xo.

A Eslováquia continuou pressionando e encontrou um buraco na defesa laranja: Vittek aparece sozinho na cara do goleiro Stekelenburg 3 vezes seguidas em falhas incríveis da defesa que parecia tentar fazer uma linha de impedimento muito mal sincronizada. Em uma Vittek chutou para fora, na outra Stekelenburg fez uma defesa inacreditável e na última, o goleiro derrubou o atacante eslovaco e fez um pênalti, já no último instante dos acréscimos do jogo. O próprio Vittek cobrou e fez um inútil 2×1, ouvindo o árbitro apitar o final do jogo antes mesmo de pegar a bola no fundo das redes.

A Holanda tem jogado de forma pragmática e eficiente, fazendo apenas o necessário para vencer suas partidas. Apesar de ter um time de estrelas, depende muito da habilidade de Sneijder e de Robben (de Kuyt também, mas em menor escala). Van Persie continua a ser uma das maiores decepções da Copa (tem sido quase tão invisível em campo quanto foi Rooney).

Fora isso, vale lembrar que o time ainda não foi realmente testado neste mundial. Enfrentou apenas equipes fracas ou amedrontadas demais para tentar vencê-los.

É uma das melhores seleções holandesas na história das Copas (e com melhores resultados também) mas, se quiser chegar mais longe nesta competição precisara que seus jogadores rendam mais, tirando a pressão das costas de Sneijder & Robben, precisam consertar sua “linha de impedimento” patética e, acima de tudo, mostrar que seu futebol pragmático funciona contra todos, inclusive contra equipes que pretendem vencê-los.

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HOLANDA 2X1 ESLOVÁQUIA

Holanda: Stekelenburg, Van der Wiel, Hitinga, Mathijsen e Van Bronckhorst; Van Bommel, De Jong e Sneijder; Kuyt, Van Persie (Huntelaar) e Robben (Elia). Técnico: Bert van Marwijk.

Eslováquia: Mucha; Pekarik, Skrtel, Durica e Zabavnik (Jakubko): Kucka, Stoch, Weiss e Hamsik (Sapara); Jendrisek (Kopunek) e Vittek. Técnico: Vladimir Weiss.

Estádio: Moses Madhida, Durban (AFS).
Data: 28/06/2010.
Árbitro: Alberto Undiano (ESP).
Assistentes: Fermin Martinez (ESP) e Juan Carlos Yuste Jimenez (ESP).
Gol: Robben, aos 18 minutos do primeiro tempo; Sneijder, aos 39 do segundo; e Vittek, aos 48.
Cartões amarelos: Robben, Stekelenburg (HOL), Kucka, Kopunek e Skrtel (ESL).

Luis Fabiano dribla o goleiro Bravo para fazer seu 3º gol na Copa

O Brasil, assim como a Holanda, ainda não sofreu nenhuma grande provação nesta Copa. Passou (com certo sufoco) da limitada Coréia do Norte, sem fazer força da retraída Costa do Marfim e nem chegou a jogar contra Portugal.

O Chile poderia ter sido um adversário difícil, mas El Loco” Bielsa fez jus a sua alcunha e colocou seu time solto demais em campo. Seu pensamento deve ter sido no sentido de que a maior virtude de sua equipe era o ataque, então, se se retraísse em seu campo de defesa, estaria cometendo suicídio. E estava certo. Mas foi a sua forma de atacar o Brasil é que foi uma coisa de louco.

Não entendi o posicionamento de sua maior estrela, Sánchez, que foi o responsável pela maior parte das jogadas de perigo na área adversária nesta Copa mas hoje foi escalado no meio de campo, para combater o contra-ataque brasileiro e iniciar a criação das jogadas. Bielsa ainda usou os lançamentos em profundidade para ligar rapidamente a defesa ao ataque. Só que resolveu fazer isso contra uma defesa forte e composta por jogadores altos que cortaram todas as tentativas chilenas que chegavam pelo alto sem problemas. Pra completar, deixou Valdivia (que deveria ser o homem a fazer estes lançamentos) no banco.

Tomou dois gols no primeiro tempo e o terceiro no início do segundo, enquanto ainda tentava arrumar uma nova formação para sua equipe. Aí já não havia muito o que fazer.

É muito estranho que um técnico tão inteligente, estudioso e preparado tome decisões tão equivocadas. Só louco mesmo…

Dunga, por seu lado, foi ousado e colocou o Brasil em campo com uma formação diferente (que ele já havia testado em um de seus amistosos de preparação para a Copa), com apenas um volante recuado (Gilberto Silva) e dois jogadores que ajudam na marcação, mas que também partem para o ataque (Ramires e Daniel Alves). Tudo bem que ele tomou essa decisão por necessidade (não pôde contar com Felipe Melo, Elano e Julio Baptista contundidos e, ao que parece, não gostou do rendimento de Josué no jogo contra Portugal), mas é uma formação que deixa o time mais rápido e ofensivo (e bem que poderia tê-la usado na estréia, contra a Coréia do Norte, time que não merecia tanto receio por parte do Brasil).

O gol de Luis Fabiano me chamou a atenção pois foi em uma falha da defesa chilena muito parecida com a que eu relatei no jogo da Holanda (mas que o eslovaco Vittek teve dificuldade de tirar proveito).

Creio que Brasil e Holanda chegam nas quartas em situações muito parecidas, devem fazer um jogo bem equilibrado, mas com uma leve vantagem para o Brasil, uma vez que a defesa deste tem falhado muito pouco. Falta saber como os jogadores agirão frente a uma partida tão importante. Será que Van Persie vai acordar de seu sono profundo? Robinho vai crescer frente a um grande desafio ou vai se esconder da responsabilidade como já fez outras vezes?

E se de um lado há o talento de Robben em encontrar espaço onde não há para seus chutes de esquerda, no lado brasileiro há Luis Fabiano, que não tem perdoado os erros das defesas adversárias. Atrás dos dois há Sneijder e Kaká, que costumam criar grandes jogadas e colocar seus companheiros na cara do gol.

A única certeza é a de que será um grande jogo, como é a tradição nos encontros de Brasil x Holanda nas Copas do Mundo.

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BRASIL 3X0 CHILE

Brasil: Julio Cesar, Maicon, Lúcio, Juan e Michel Bastos; Gilberto SIlva, Ramires, Daniel Alves e Kaká (Kleberson); Robinho (Gilberto) e Luis Fabiano (Nilmar). Técnico: Dunga.

Chile: Bravo, Isla (Millar), Contreras (Rodrigo Tello), Jara e Fuentes; Carmona, Vidal e Beausejour; Sánchez, Suazo e Mark González (Valdivia). Técnico: Marcelo Bielsa.

Estádio: Ellis Park (em Joanesburgo).
Data: 28/06/2010.
Árbitro: Howard Webb (ING).
Assistentes: Darren Cann (ING) e Michael Mullarkey (ING).
Gols:
Juan, aos 34, e Luis Fabiano, aos 37 minutos do primeiro tempo; Robinho, aos 14 minutos do segundo tempo. Cartões amarelos: Kaká, Ramires (Brasil); Vidal, Fuentes, Millar (Chile).

Copa do Mundo 2010: Dia 17, oitavas-de-final

Carma inglês: Lampard se desespera ao ver o efeito inverso de 1966

Klose é um jogador impressionante. Aos 31 anos, passou praticamente toda a temporada 2009/10 no banco do Bayern, como reserva do jovem Mario Gómez mas, ao chegar na seleção, contou com a confiança do técnico Joachim Löw e assumiu a posição de titular, mandando Gómez para o banco. Klose tem sido um dos principais jogadores da seleção alemã, e fez muita falta para a equipe quando foi expulso na partida contra a Sérvia (bem como quando cumpriu suspensão contra Gana). Klose ajuda na criação de jogadas com seus econômicos e certeiros passes e fazendo o que faz de melhor: gols.

Hoje marcou seu 2º nesta Copa (não fosse aquele cartão vermelho, poderia estar entre os artilheiros do campeonato). Com isso, empata com Pelé no 4º lugar da lista de maiores artilheiros na história das Copas. Já são 12 gols.

Özil e Podolski melhoraram muito com a presença de Klose em campo e fizeram uma partida perfeita (lembrando suas atuações contra a Austrália na estréia). A Alemanha foi realmente superior e fez por merecer a vitória e o dilatado placar.

Dito isso, lembremos que a história do jogo foi alterada pelo árbitro. A Alemanha saiu na frente (2×0) mas no final do primeiro tempo, os ingleses iniciaram uma reação. Gerrard e Lampard finalmente assumiram o controle do meio de campo inglês e passaram a criar oportunidades (como todos esperávamos desde o início da competição). Gerrard colocou uma bola na cabeça de Upson para diminuir e Lampard mandou, logo em seguida, um chute perfeito para empatar o jogo. Ou não!

A bola passou cerca de 33cm da linha do gol pelo que eu ouvi dizer. Gol claro. Mas o juiz não viu e o jogo seguiu. Os ingleses dominaram o final do primeiro tempo, mas não conseguiram o empate.

Vendo a jogada do gol da Inglaterra absurdamente não marcado pelo árbitro, não há como não lembrar do carma que envolve Inglaterra x Alemanha: um dos mais famosos erros de arbitragem da história do futebol aconteceu em uma jogada parecida, na final da Copa de 1966, quando o inglês Hurst mandou um chute no travessão, a bola bateu em cima da linha do gol e saiu. O árbitro validou o gol mas a bola não havia entrado. Este erro, cometido já na prorrogação, deu o título aos ingleses em cima dos alemães. (Veja o lance aqui).

Para aumentar a crueldade do que aconteceu hoje, lembremos que os ingleses usavam seu uniforme nº 2 (vermelho) que é um modelo que homenageia aquele, de 1966.

A torcida vaiou em peso o árbitro no final do primeiro tempo. Se os times fossem para o intervalo com um empate, as coisas teriam sido diferentes no segundo tempo (apesar de eu achar que a Alemanha venceria de qualquer forma). A Inglaterra não iria tão desesperadamente para o ataque deixando a defesa aberta e permitindo os dois gols fáceis de Müller, minando qualquer possibilidade de reação inglesa.

Há que se observar que, como eu disse, Gerrard e Lampard jogaram bem, mas foram figuras isoladas no time: o zagueiro Terry não foi visto nos gols alemães. O lateral Johnson (um dos poucos que jogaram bem em todas as partidas dos ingleses) estava mal. Barry e Milner cansaram de cometer erros. Defoe decepcionou e seu substituto (Heskey) não fez nada. Rooney eu não sei… Acho que nem entrou em campo…

Enfim, não honraram a tradição de luta que acompanha o English Team nas Copas. Lembrando rapidamente, em 1990 cairam diante dos alemães nos pênaltis, depois de uma grande batalha nas semi-finais. Em 1998 foram derrotados pela Argentina, também nos pênaltis, em partida válida pelas oitavas, quando, após sair perdendo, os ingleses viraram o jogo mas deixaram os argentinos empatar após a expulsão do jovem David Beckham (que quase teve sua carreira destruída por este fato). Em 2002 perderam para o Brasil nas quartas, em uma das melhores e mais disputadas partidas do campeonato. Em 2006 foi a vez de Rooney ser expulso em uma controversa jogada na partida contra Portugal pelas quartas-de-final e, novamente, vendendo caro a derrota, que só veio nos pênaltis.

Enfim, não fosse pelo árbitro, poderíamos ter visto um segundo tempo histórico, permitindo que os ingleses deixassem a Copa de cabeça erguida (após 3 partidas muito ruins na fase de grupos) ou mesmo uma reação inglesa que tornaria este um jogo ainda mais histórico.

Mas, ao contrário disso, tivemos um massacre alemão e um motivo para lembrar a curiosa jogada da Copa de 1966.

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ALEMANHA 4X1 INGLATERRA

Alemanha: Neuer, Lahm, Friedrich, Mertesacker e Boateng; Schweinsteiger, Khedira, Müller (Trochowski), Özil e Podolski (Gomez); Klose (Kiessling). Técnico: Joachim Löw.

Inglaterra: James, Johnson (Wright-Phillips), Upson, Terry e Ashley Cole; Lampard, Barry, Milner (Joe Cole) e Gerrard; Defoe (Heskey) e Rooney. Técnico: Fabio Capello.

Estádio: Free State, Bloemfontein (AFS).
Data:
27/06/2010.
Árbitro: Jorge Larrionda (URU).
Assistentes: Pablo Fandino (URU) e Mauricio Espinosa (URU).
Gols: Klose, aos 20, Podolski, aos 32, e Upson, aos 37 minutos do primeiro tempo; Müller, aos 22 e aos 25 minutos do segundo tempo.
Cartões amarelos: Friedrich (ALE) e Johnson (ING).

Mexicanos reclamam de clamoroso impedimento de Tevez. É a arbitragem tomando o centro das atenções na Copa 2010

O México vinha jogando muito bem (até melhor do que a Argentina), até que veio mais um erro de arbitragem. Em jogada de Messi, Tevez marcou o primeiro gol argentino em posição de impedimento (impedimento claro e indiscutível). Os mexicanos reclamaram e chegaram a apontar para o telão que, dizem os meios de comunicação que lá estavam presentes, passou o replay do lance com direito a “tira-teima” mostrando o impedimento de Tevez.

Mas não teve jeito. O árbitro italiano Roberto Rosetti resolveu abraçar teimosamente seu erro e validou o gol. Antes do jogo Rosetti era um dos árbitros mais cotados para apitar a final da Copa, mas com um erro desses, está mais cotado para acompanhar a seleção italiana e o técnico italiano Fabio Capello (da seleção inglesa) em seu caminho de volta pra casa, não deixando qualquer vestígio da participação italiana nesta Copa.

Alterados, os mexicanos começaram a cometer faltas bobas e demoraram para retomar o bom futebol que vinham jogando até o gol argentino. Ainda tiveram a infelicidade de entregar uma bola para Higuaín em um erro absurdo de sua defesa. Higuaín não errou, driblou o goleiro e marcou seu 4º gol nesta Copa: 2×0.

No início do 2º tempo, Tevez liquidou a partida com um golaço de fora da área.

O México ainda reagiu e marcou outro golaço com Hernández. Sem nada a perder, os mexicanos ainda fizeram algumas boas jogadas buscando o gol, mas não conseguiram marcar. Se tivessem conseguido, talvez tivéssemos outra partida histórica, como aquela em que a mesma Argentina eliminou o mesmo México na mesma fase de oitavas-de-final na Copa de 2006, quando Maxi Rodríguez marcou um lindo gol na prorrogação e classificou a Argentina para as quartas-de-final, para enfrentar a Alemanha.

Naquela oportunidade, Alemanha e Argentina empataram em 1×1 e os alemães venceram a disputa por pênaltis.

Em 2010, os dois times se encontram novamente, ambos estão entre os favoritos da competição. A Alemanha é mais organizada enquanto a Argentina tem mais talento. Acredito que será um grande jogo. E espero que o árbitro não seja o personagem principal do jogo.

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ARGENTINA 3X1 MÉXICO

Argentina: Romero, Otamendi, Demichelis, Burdisso e Heinze; Mascherano, Maxi Rodríguez (Pastore) e Di Maria (Jonás Gutiérrez); Messi, Tevez (Verón) e Higuaín. Técnico: Diego Maradona.

México: Perez, Juarez, Rodríguez, Osório e Salcido; Rafa Márquez, Torrado, Guardado (Franco) e Giovani dos Santos; Bautista (Barrera) e Hernández. Técnico: Javier Aguirre.

Estádio: Soccer City (em Joanesburgo).
Data: 27/6/2010.
Horário: 15h30m.
Árbitro: Roberto Rosetti (Itália).
Assistentes: Paolo Calcagno (Itália) e Stefano Ayroldi (Itália).
Público: 84.337.
Gols: Higuaín, aos 26, Tevez, aos 33 do primeiro tempo; Tevez, aos 7, Hernández, aos 24 do segundo.
Cartão amarelo: Rafa Márquez.

Copa do Mundo 2010: Dia 16, oitavas-de-final

Suárez comemora seu 2º gol contra a Coéia (3º na Copa)

O Uruguai entrou em campo com tudo a seu favor. Logo aos 8 minutos de um jogo disputado em um belo dia ensolarado, o garoto Suárez fez 1×0. A Coréia do Sul tentou reagir, levou perigo à defesa uruguaia, mas nada parecia ameaçar os sul-americanos.

No intervalo do jogo, o bonito céu ensolarado deu lugar a uma chuva torrencial! Como em um episódio de Lost, parecia o prenuncio de problemas.

A Coréia do Sul voltou renovada para o segundo tempo e encurralou os uruguaios em seu campo de defesa. Forlán foi se irritando com o time. Jogada após jogada, a defesa uruguaia só conseguia dar chutões para frente e perdendo a bola e tomando novo sufoco dos asiáticos. Quando finalmente a bola chegava no ataque, o inexperiente Suárez era fominha e chutava para o gol, irritando ainda mais o craque Forlán. A retranca uruguaia lembrava os jogos da Libertadores da América.

Até que o inevitável aconteceu: gol da Coréia. O Uruguai que havia renunciado ao ataque e pagou o preço por isso.

Mas aí os uruguaios acordaram de seu sono profundo e retomaram o ritmo do primeiro tempo: voltaram ao ataque.

Em uma cobrança de escanteio de um dos grandes craques da Copa, Forlán, a bola sobrou para o “fominha” Suárez, que mostrou por que é tão fominha: em um chute absolutamente perfeito colocou os uruguaios de volta à história: 2×1. Desde 1970 que eles não chegavam tão longe em uma Copa. E chegam com um um time muito competitivo!

Os coreanos deixam a Copa após cumprir um brilhante papel. Lutaram até o fim e foram muito competitivos. Avançaram até onde suas forças permitiram e estão de parabéns.

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URUGUAI 2X1 CORÉIA DO SUL

Uruguai: Muslera; Maxi Pereira, Lugano, Godín (Victorino) e Fucile; Pérez, Arévalo e Alvaro Pereira (Lodeiro); Forlán, Suárez (Ferrnández) e Cavani. Técnico: Oscar Tabárez.

Coréia do Sul: Jung Sung Ryong; Cha Du Ri, Cho Yong Hyung, Lee Jung Soo e Lee Young Pyo; Ki Sung Yueng (Yeom Ki-Hun), Kim Jung Woo, Park Ji Sung, Lee Chung Yong e Kim Jae Sung (Dong Cook); Park Chu Young. Técnico: Huh Jung-moo.

Estádio: Nelson Mandela Bay (em Porto Elizabeth).
Data: 26/6/2010.
Horário: 11h.
Árbitro: Wolfgang Stark (Alemanha).
Assistentes: Mike Pickel (Alemanha) e Jan-Hendrik Salver (Alemanha).
Público: 30.597.
Gols: Suárez, aos 8 do primeiro tempo e aos 35 do segundo tempo; Lee Chung Yong, aos 23 do segundo tempo.
Cartões amarelos: Kim Jung Woo, Cha Du Ri e Cho Yong Hyung.

Gana comemora feito histórico: é a 3ª seleção africana a alcançar as quartas de final na história

O adversário do Uruguai nas quartas sairia do jogo EUA x Gana. E Gana estava disposta a ser este adversário.

O primeiro tempo foi dos africanos. Além do gol de Prince Boateng logo aos 5 minutos, os ganeses dominaram o jogo e tiveram chances de definir a vitória logo de cara. Mas, como vem sendo a principal característica dos africanos nesta competição, eles não tiveram capacidade de fazer mais gols. Seja por egoísmo de alguns jogadores, pela falta de pontaria ou de técnica de outros, as chances chegavam mas os gols não.

Seguindo também sua característica em todo o campeonato, os esforçados norte-americanos, chegaram no segundo tempo com melhores condições físicas que seus adversários e dominaram o jogo. Tiveram diversas oportunidades mas desperdiçaram todas por conta de seus jogadores de baixo nível. O aclamado técnico-coxinha Bob Bradley insiste em manter sua principal estrela Donovan como um mero coadjuvante do time. Ao invés de posicioná-lo próximo da área levando perigo de gol à meta adversária, Bradley prefere mantê-lo como armador na altura de meio de campo que raramente tem liberdade de avançar. O grandalhão e desajeitado Altidore cansou de perder gols, até que Dempsey mostrou um pouco de habilidade no ataque americano e, em uma jogada individual, foi derrubado na área. Pênalti. Donovan bateu com perfeição e recolocou os EUA na partida.

Mas aí a pilha dos yankees acabou. Eles recuaram e pareciam estar contando com uma decisão por pênaltis. Os ganeses retomaram o ataque, mas não conseguiram marcar.

Com a exaustão de ambas equipes, parecia que a prorrogação seria uma mera formalidade entre o jogo e os pênaltis. Mas não foi bem assim.

Logo no início da prorrogação, a estrela ganesa Asamoah Gyan brilhou: recebeu uma bola lançada de sua defesa, passou pelo brucutu Bocanegra (que tentou derrubá-lo mas não conseguiu), recobrou seu equilíbrio e mandou um belo chute para o goleiro Howard engolir o 2º gol ganês: 2×1.

Os EUA não tiveram forças para reagir e Gana administrou o jogo até o final da prorrogação (apesar de algumas bolas lançadas em sua área pelos desesperados e desajeitados americanos).

Gana entra para um seleto grupo de equipes africanas que chegam às quartas de final de uma Copa do mundo. Gana é apenas a a chegar, sendo precedida por Camarões 1990 e Senegal 2002. Nunca um time africano alcançou as semi-finais desta competição.

Será que a história vai mudar?

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ESTADOS UNIDOS 1X2 GANA

Estados Unidos: Howard, Cherundolo, DeMerit, Bocanegra e Bornstein; Michael Bradley, Clark (Edu), Dempsey e Donovan; Altidore (Gomez) e Findley (Feilhaber). Técnico: Bob Bradley.

Gana: Kingson, Inkoom (Muntari), Pantsil, John Mensah, Jonathan Mensah e Sarpei (Addy); Annan e Kevin-Prince Boateng (Appiah); Kwadwo Asamoah, Ayew e Asamoah Gyan. Técnico: Milovan Rajevac.

Estádio: Royal Bafokeng, Rustemburgo (AFS).
Data: 26/06/2010.
Árbitro:
Viktor Kassai (HUN).
Assistentes:
Gabor Eros (HUN) e Tibor Vamos (HUN).
Gols:
Kevin-Prince Boateng, aos 5 minutos do primeiro tempo; Donovan, aos 17 minutos do segundo tempo; Gyan, aos 3 minutos do primeiro tempo da prorrogação.
Cartões amarelos: Clark, Cherundolo, Bocanegra (EUA), Ayew e Jonathan Mensah (GAN).