Copa do Mundo 2014: Dia 32, Final

Alemanha campeã!

Alemanha campeã!

Como era de se esperar, a final teve um placar magro, com os jogadores cumprindo bem suas funções táticas. Mas mesmo assim, foi um grande jogo. Taticamente perfeito, com boas chances de gol, mas, sempre tenso, como uma final deve ser.

A Argentina começou melhor o jogo. O técnico Sabella estudou bem a forma que a seleção alemã vinha jogando nesta Copa: desde sua estreia, atropelando Portugal por 4×0, passando pelo difícil empate de 2×2 contra Gana, a vitória protocolar de 1×0 contra os EUA, o sofrimento na vitória por 2×1 na prorrogação contra a Argélia, a correção tática na vitória por 1×0 contra a França e seu grande jogo nesta Copa: o massacre de 7×1 contra o Brasil.

Sabella viu e entendeu o que aconteceu em cada um destes jogos. Entendeu a evolução da Alemanha e soube jogar contra eles: povoou o meio de campo, priorizou o cuidado na defesa e resolveu usar os contra-ataques como sua principal arma. A Argentina não tinha a posse de bola (porque abdicou dela para ter o contra-ataque) mas dominava completamente o jogo. Eles tiveram chances reais de vencer o jogo.

Joachim Löw também fez bem seu trabalho, mas não precisava se preocupar tanto: tinha o melhor time e todos os seus titulares à disposição. Todos os seus titulares, exceto, é claro, seu lateral direito improvisado Mustafi (cuja posição é, originalmente, de zagueiro), que se machucou no jogo contra a Argélia e não teve mais condições de jogar. Lahn, que até então vinha jogando como volante, voltou para a lateral direita (sua posição de origem), abrindo espaço para Schweinsteiger voltar em definitivo ao time titular (no início da competição ele estava contundido e foi voltando ao time aos poucos).

A piada era que sorte ajudou Löw a montar o seu time no decorrer da competição (difícil dizer se Lahn não voltaria naturalmente à lateral quando Schweinsteiger tivesse condições de jogar…).

A sorte (ou a ausência dela) ainda mexeria mais uma vez na escalação da Alemanha: já no aquecimento para o jogo, Khedira sentiu uma contusão muscular e não pôde entrar em campo. Foi substituído por Kramer.

Acontece que (como eu disse no início do texto) a Argentina começou dominando o jogo. Löw precisaria mexer no time rapidamente para controlar o jogo. E a oportunidade mudar logo apareceu: ainda no início do jogo, Kramer teve uma dividida com Garay e bateu a cabeça. Zonzo, ele ainda tentou jogar mas teve que ser substituído. Como não havia um reserva para direto para Kramer, Löw teve que improvisar um pouco e efetivamente mudar o jeito do time jogar: colocou Schürrle e recuou um pouco Özil. Foi a mudança que o time precisava: a partir daí o jogo ficou mais equilibrado.

Do lado da Argentina faltava sorte: Higuaín teve a chance de colocar a Argentina na frente: em uma bola absurdamente mal recuada de Kross para Neuer, o argentino ficou sozinho na cara do gol e… Chutou pessimamente para fora.

Messi, que fazia um bom jogo (não bom o bastante para o que se esperava dele, mas bom o bastante para se livrar com facilidade da marcação de Hümmels, o melhor zagueiro desta Copa na minha opinião), também teve mais de uma chance de matar o jogo, mas não conseguiu marcar.

Faltava sorte aos argentinos. E faltava também Di María (contundido, ele não conseguiu se recuperar a tempo de jogar a final). Especialmente na prorrogação, quando seu preparo físico costuma desequilibrar…

O tempo passava e o cansaço pesava. Vieram as substituições, mas o banco de Sabella era mais fraco do que o de Löw. Palacio entrou no lugar de Higuaín, o que fez o nível do ataque argentino cair. Agüero (que entrou no lugar de Lavezzi) também pouco contribuiu. Do lado alemão, Löw tirou o veterano Klose (o único jogador em campo que já havia participado de uma final de Copa, em 2002) e colocou o jovem Götze, de apenas 22 anos (nascido já na Alemanha unificada, em 1992, viu Klose pela tv perder aquela final de 2002, aos 10 anos de idade).

As substituições foram fundamentais no resultado final: Palacio teve a última grande chance argentina, mas faltou qualidade para dominar sozinho, na entrada da área e chutar. Já Götze…

A Alemanha tinha mais uma substituição para fazer, e tudo indicava que seria o exausto Schweinsteiger. Ele jogou esta Copa toda no sacrifício. Começou no banco por causa de uma contusão, e, no decorrer da competição, foi recuperando sua forma física e sua posição no time titular. Taticamente não cumpria a mesma função que o consagrou nas Copas de 2006 e de 2010. Em 2014 ele não tinha a liberdade (ou a condição física) de fazer seus avanços à linha de fundo para cruzar a bola ou ir à entrada da área para arriscar chutes de longe. Essa função agora era cumprida principalmente por Kroos. Schweinsteiger teve um papel fundamentalmente mais defensivo.

Talvez por isso ele tenha passado a impressão de que apanhou muito nesta final: parecia ser o jogador com o uniforme mais sujo de tanto cair no chão em divididas difíceis. Já no final do jogo, completamente exausto, ele ainda tomou um golpe no rosto em uma dividida com Agüero e saiu sangrando de campo para ser atendido. Parecia que ele seria substituído. Parece que ele tomou um ponto ali mesmo, na lateral do gramado, querendo voltar logo para o campo (enquanto todos os alemães se revoltavam com o árbitro por não ter dado nem um cartão amarelo para Agüero).

Schweinsteiger não iria deixar o campo no jogo mais importante da sua vida: voltou para o campo, exigindo mais de seus companheiros.

Neste exato momento, em um contra-ataque, Schürrle avança pela esquerda, enquanto Götze entra na área, nas costas de Demichelis. Schürrle cruza para Götze matar a bola no peito, sozinho no canto da pequena área, e chutar sem deixar a bola cair no chão.

Finalmente, aos 113 minutos de jogo (e após 485 minutos minutos desde o gol sofrido contra a Nigéria), a “fraca” defesa argentina tomou um gol (gol, diga-se, do time que atropelou a “fortíssima” defesa brasileira).

Gol do título.

Götze marcando o gol na prorrogação

Götze marcando o gol na prorrogação

O título alemão faz justiça a uma geração de grandes jogadores que começam a se despedir da seleção alemã: Lahm, Schweinsteiger e Podolski são os principais nomes da equipe que começou a ser formada na Euro 2004 e na Copa de 2006 para aposentar os sobreviventes de 2002 (dos quais apenas Klose, já aos 36 anos, continuou a jogar na seleção – em grande estilo, deixando seu nome na história como o maior artilheiro de todas as Copas).

Lahm, aos 30 anos, anunciou poucos dias depois da final que não jogaria mais pela seleção. Podolski já não era mais titular do time (pouco jogou em 2014) e Schweinsteiger, com 29, não é certeza para 2018.

Mas a passagem de gerações não preocupa mais a Alemanha: em 2010 apareceram Müller, Özil, Kroos, Khedira e Neuer (entre outros). Em 2014, foi a vez de Götze, Kramer e Schürrle

Com a incrível passagem de gerações que têm marcado a Alemanha nas últimas 3 Copas, repito meu comentário feito em 2010: A Alemanha certamente chegará na próxima Copa como uma das grandes favoritas.


Após um início com números incríveis de gols, esta Copa acabou empatando o recorde de 1998 como as Copas com mais gols na história: foram 171 gols nos 64 jogos (média de 2,67 gols por jogo – contra uma média de apenas 2,3 na Copa de 2010).

A Alemanha terminou com o melhor ataque da competição (com 18 gols) mas o artilheiro foi o colombiano James Rodriguez, com 6 gols e 2 assistências (Müller ficou em segundo lugar, com 5 gols e 3 assistências – já são 10 gols em Copas do alemão ainda com 24 anos de idade – o recorde de Klose tem tudo para ser quebrado muito em breve).

Completando a lista de prêmios individuais da Copa, Neuer foi eleito melhor goleiro, o francês Pogba foi o melhor jogador jovem e o constrangido Messi foi eleito o melhor jogador da Copa (ficou chatão ter que receber este premio logo depois de ter perdido uma final…).


ALEMANHA 1 X 0 ARGENTINA

Alemanha: Neuer; Lahm, Boateng, Hümmels e Höwedes; Kramer (Schürrle, aos 31 min. do 1°t), Schweinsteiger, Özil (Mertesacker, aos 15 min. do 2°t da pror.) e Kroos; Klose (Götze, aos 42 min. do 2°t) e Müller
Técnico: Joachim Löw

Argentina: Romero; Zabaleta, Demichelis, Garay e Rojo; Mascherano, Biglia e Perez (Gago, aos 40 min. do 2°t); Messi, Higuaín (Palacio, aos 31 min. do 2°t) e Lavezzi (Agüero, no intervalo)
Técnico: Alejandro Sabella

Data: 13 de julho de 2014
Horário: 16h00 (de Brasília)
Local: Maracanã, no Rio de Janeiro (RJ)
Capacidade do estádio: 74.738
Público: 74.738
Árbitro: Nicola Rizzoli (ITA)
Assistentes: Renato Faverani (ITA) e Andrea Stefani (ITA)
Cartões amarelos: Schweinsteiger, aos 28 min., Höwedes, aos 32 min. do 1°t (ALE); Mascherano, aos 18 min., Agüero, aos 20 min. do 2°t (ARG)
Gols: Götze, aos 7 min. do 2°t da prorrogação
Súmula do jogo: aqui

Copa do Mundo 2014: Dia 31, decisão de 3º lugar

Sossegado e frustrante: Holanda atropela o Brasil, mas fica o sentimento de que poderiam ter ido à final

Sossegado e frustrante: Holanda atropela o Brasil, mas fica o sentimento de que poderiam ter ido à final

A disputa de terceiro lugar costuma ser o jogo mais amargo da Copa: os dois times já estão desapontados com a derrota nas semi-finais e, geralmente, preferiam já estar em casa a esta altura.

Na prática, o jogo acaba servindo apenas para recordes, confirmação de craques, artilheiros (como foi o caso, respectivamente, do uruguaio Forlán e do alemão Müller em 2010) e para aumentar a frustração das seleções que realmente tinham condições de lutar pelo título na final. Também serve para forçar ainda mais o físico dos jogadores já exaustos (como foi o caso de Sneijder que se contundiu no aquecimento e acabou nem jogando).

No caso do Brasil, foi o jogo que confirmou uma série de recordes negativos, além de expor mais ainda as fragilidades do time.

Do lado da Holanda ficou a sensação de frustração. Ao final do jogo Robben e Van Gaal deram entrevistas valorizando o terceiro lugar, mas deixando claro que eles esperavam jogar a final. E mostraram qualidade para isso em campo. A Holanda deixa o campeonato sem ter perdido nenhum jogo e após ter protagonizado grandes jogos, como o massacre contra a Espanha, a enorme superação contra o México e o incrível bombardeio ao gol da Costa Rica, mas tudo terminou em um jogo equilibradíssimo contra a Argentina. Fica a sensação de que faltou força física, faltou sorte, faltou muito pouco para forçar um gol naquela prorrogação…

Olhando para o futuro, Van Gaal deixa a seleção holandesa com um time majoritariamente jovem, que estará à disposição para disputar a próxima Copa, mas com um problema enorme: seus jogadores extraordinários (Sneijder, Robben e Van Persie) estão todos na casa dos 30 anos e dificilmente terão condições físicas para jogar a Copa de 2018. O trabalho foi bem feito, mas agora eles dependem do acaso para que apareça um conjunto de jogadores extraordinários para sucedê-los na liderança do time.

É o fim de mais uma geração extraordinária que não consegue vencer o título tão cobiçado pelos holandeses há tanto tempo.

O Brasil, que contava com o desinteresse holandês no jogo para sair de “cabeça erguida” da Copa, mostrou as mesmas fragilidades que já havia mostrado contra a Alemanha. Van Gaal usou a mesma tática que Joachim Löw: pressionou a defesa brasileira e tomou o meio de campo, cortando completamente a ligação com o ataque. Apesar do controle holandês no jogo, a seleção brasileira não se entregou completamente (como fez no jogo contra a Alemanha) mas a superioridade holandesa era clara: quando o Brasil chegava no ataque dependia exclusivamente do acerto de alguma jogada individual para conseguir um chute a gol. Já a Holanda, chegava sempre com perigo, tocando bola e com bons cruzamentos.

Último gol sofrido nesta Copa: finalmente termina o pesadelo brasileiro

Último gol sofrido nesta Copa: finalmente termina o pesadelo brasileiro

Parecia que o pesadelo da semi-final não terminava nunca para o Brasil. Mas terminou. Foi um atropelo tão grande ter tomado 10 gols e 2 jogos que nem dá para pensar em comemorar o fato de que o Brasil chegou entre os 4 primeiros times da competição após 12 anos.

Se a disputa de terceiro lugar é amargo, perder este jogo é mais amargo ainda. A Holanda vai embora sem ter perdido nenhum jogo na competição. O Brasil vai embora com 2 derrotas seguidas e fica com a defesa mais vazada de sua história.


BRASIL 0 X 3 HOLANDA

Brasil: Júlio César; Maicon, Thiago Silva, David Luiz e Maxwell; Luiz Gustavo (Fernandinho), Paulinho (Hernanes), Ramires (Hulk), Oscar e Willian; Jô. Técnico: Luiz Felipe Scolari

Holanda: Cillessen (Vorm); Vlaar, Martins Indi e De Vrij; Kuyt, Wijnaldum, Clasie (Veltman), De Guzmán e Blind (Janmaat); Robben e Van Persie. Técnico: Louis Van Gaal

Data: 12/07/2014 – 17h
Local: Mané Garrincha (Brasília)
Capacidade do estádio: 69.349
Público: 68.034
Árbitro: Djamel Haimoudi (ALG)
Auxiliares: Redouane Achik (MAR) e Abdelhak Etchiali (ALG)
Cartões amarelos: Thiago Silva, Fernandinho e Oscar (Brasil); Robben e De Guzmán (Holanda)
Gols: Van Persie, aos 2 min, e Blind aos 15 min do 1º tempo; Wijnaldum aos 45 min do 2º tempo
Súmula do jogo: aqui

Copa do Mundo 2014: Dia 28

Romero, à Goycochea, defende dois pênaltis e leva a Argentina à final contra a Alemanha novamente

Romero, à Goycochea, defende dois pênaltis e leva a Argentina à final contra a Alemanha mais uma vez

Holanda e Argentina fizeram um jogo com cara de semi-final de Copa: jogo pegado, com ambos os times muito cautelosos, sem se expor e, consequentemente, meio chato. Chatice compensada pela emoção. Aos 45 do segundo tempo, no final de um jogo de poucas oportunidades criadas e desperdiçadas por atacantes nervosos ou abafadas por defesas excelentes, aconteceu aquilo que todos já esperavam: Robben recebe a bola nas costas de Mascherano, se livra da marcação de Demichelis, entra na área, prepara para chutar com seu pé esquerdo e… Mascherano trava seu chute fatal em cima da hora.

Na seleção da Argentina que tem um Messi sempre cercado por pelo menos 3 marcadores, que tem um Di María contundido (ainda é dúvida para a final) e um Higuain apagado, Mascherano tem sido o seu maior símbolo. Esta jogada contra o Robben é um ótimo exemplo: mesmo com abaixa probabilidade de alcançar um dos jogadores mais rápidos desta Copa, que já partiu para o gol nas suas costas, o “chefito” argentino não pensou duas vezes e correu. Correu mais ainda quando Demichelis (que vinha fazendo uma partida perfeita) foi driblado por Robben. E quando tudo parecia perdido, se esticou tanto que rasgou o ânus (palavras dele) e se recusou a tomar um gol da Holanda. Além da dedicação defensiva, ele também tem feito de forma discreta uma Copa praticamente perfeita no meio de campo, sendo o principal passador de bolas na sua seleção.

A prorrogação não foi muito mais animada do que os 90 minutos, exceto por uma jogada incrível de Messi, que cruzou para  Maxi Rodriguez, dentro da área, finalizar. Mas ele pegou mal na bola (eu estava esperando que ele desse aquele chute de 2006).

Parecia que Van Gaal ainda via esperança de liquidar o jogo na prorrogação e fez sua última alteração para substituir o exausto Van Persie por Huntelaar no ataque. Mas de nada adiantou. E por causa desta substituição, ele não pôde colocar Kurl no lugar de Cillessen.

E para seu desespero, ele tinha razão em querer fazer esta troca: Cillessen não conseguiu pegar nenhum pênalti.

Em compensação, o criticadíssimo Romero (que amargou a reserva no seu time, o Mônaco, durante esta temporada) pegou 2, repetindo o feito do goleiro Goycochea na semi-final de 1990, e colocando a Argentina novamente em uma final de Copa, depois de 24 anos. Novamente contra a Alemanha.

Os Argentinos dizem que “o espírito de Goycochea desceu em Romero” (conceito difícil de entender, ainda mais considerando que Goycochea ainda está vivo – inclusive estava no estádio assistindo ao jogo), mas Van Gaal tem outra explicação para o sucesso de Romero. Van Gaal disse: “Eu ensinei o Romero a pegar pênaltis, então, isso dói!“. Romero foi treinado pelo holandês na temporada 2007-08, no AZ, time campeão holandês naquela temporada.


A Copa de 1990 tem um peso muito grande para a Argentina. Depois de serem campeões com show de Maradona em 1986 (vencendo justamente a Alemanha na final), 1990 marcou o início da decadência.

O time não era tão bom quanto o de 1986 e Maradona não estava bem fisicamente. Pra completar, logo no segundo jogo, o goleiro titular Pumpido se machucou e seu reserva (um tal de Goycochea – reserva de Pumpido na seleção e em seu clube, o River Plate) teve que jogar o resto da Copa.

Após uma primeira fase péssima, a Argentina teria que enfrentar o Brasil nas oitavas. Maradona era dúvida até o último minuto por ter tido uma contusão. Ele estava com o pé inchado pela contusão e mal conseguia pisar, mas na teimosia, se entupiu de remédios e colocou uma chuteira alguns números maiores (para caber o seu pé inchado) e foi para o campo. Apenas para assistir sua seleção ser impiedosamente massacrada em campo. Mas o Brasil não conseguia marcar seu gol de jeito nenhum. E, em um contra-ataque, Maradona colocou Caniggia na cara do gol e eles venceram por 1×0.

Este jogo foi um dos marcos de superação daquele time. Foi um jogo tão importante, que ainda hoje é lembrado no hino informal da Argentina na Copa de 2014:

Brasil, decime qué se siente / tener en casa tu papá / Te juro que aunque pasen los años/ nunca nos vamos a olvidar/ Que el Diego te gambeteó / que Cani te vacunó / estás llorando desde Italia hasta hoy / A Messi lo vas a ver / la Copa nos va a traer / Maradona es más grande que Pelé.

(Brasil, me diga o que sente / Ter em casa seu papai / Te juro ainda que passem os anos / Nunca vamos nos esquecer / Que Diego te driblou / Que Cannigia te vacinou / Que está chorando desde a Itália até hoje / A Messi vocês verão / A Copa vai nos trazer / E Maradona é melhor que Pelé).

Nas quartas, empate em zero a zero com a Iugoslávia. Na disputa por pênaltis, o reserva Goycochea se consagrou pegando 2.

Na semi, pegaram a Itália. O jogo seria no sul do país, em pleno estádio do Nápoli (onde Maradona jogava e já era considerado um deus). Maradona quase virou a torcida italiana de Nápoles a seu favor (não só por jogar lá, mas por lembrar do desprezo que o norte da Itália tinha por aquela região mais pobre e que aquela seleção era formada majoritariamente pelas pessoas do norte do país). Mais um empate (1×1) e o reserva Goycochea entrou para a história, se tornando sinônimo de “pegar pênalti” ao defender mais 2 cobranças.

A final contra o time da Alemanha (com uma campanha absurdamente superior aos trancos e barrancos argentinos) ia pelo mesmo caminho: zero a zero, com a Argentina se defendendo como podia. Mas, no final do jogo, o árbitro marcou um pênalti a favor da Alemanha. Este Goycochea não conseguiu pegar. Final de jogo: 1×0.

 

A Argentina levou times infinitamente melhores para as 5 Copas seguintes, com craques como Batistuta, Verón, Ortega, Simeone, Redondo, Crespo, Saviola, Riquelme, Sorín, Aimar, Sensini… Mas não tinha Maradona.

Na verdade, teve. Em 1994 a Argentina levou o que parecia ser sua melhor seleção de todos os tempos, inclusive com Maradona que, entre um escândalo e outro, foi pego no exame antidoping e não pode continuar na competição. A Argentina nunca mais foi a mesma…

Em 2014 eles chegam novamente à final, com um time limitado, com uma campanha fraca, vencendo seus jogos sempre no limite. Mais uma vez para enfrentar a favoritíssima Alemanha, que vem com uma campanha muito melhor e com a confiança reforçada pela sacolada que eles enfiaram nos anfitriões.

Mas, assim como em 1990, a Argentina vai para a final acreditando que o seu camisa 10 vai fazer algo absolutamente fantástico e “A Messi lo vas a ver / la Copa nos va a traer“.

Mascherano rasga o c* mas não deixa Robben marcar

Mascherano rasga o c* mas não deixa Robben marcar

 

Ah sim, e ainda vai ter a decisão de terceiro lugar


HOLANDA 0 (2) X (4) 0 ARGENTINA

HOLANDA: Cillessen; Kuyt, Vlaar, Martins Indi (Janmaat, no intervalo), De Vrij e Blind; Wijnaldum, De Jong (Clasie, aos 16 min. do 2°t) e Sneijder; Robben e Van Persie (Huntelaar, aos 5 min. do 1°t da pror.)
Técnico: Louis Van Gaal

ARGENTINA: Romero; Zabaleta, Garay, Demichelis e Rojo; Mascherano, Biglia, e Enzo Perez (Palacio, aos 35 min. do 2°t); Messi, Lavezzi (Maxi Rodriguez, aos 9 min. do 1°t da pror.)e Higuain (Agüero, aos 36 min. do 2°t)
Técnico: Alejandro Sabella

Data: 9 de julho de 2014
Horário: 17h00 (de Brasília)
Local: Itaquerão, em São Paulo (SP)
Capacidade do estádio: 62.601
Público: 63.267
Árbitro: Cuneyt Cakir (TUR)
Assistentes:  Bahattin Duran (TUR) e Tarik Ongun (TUR)
Cartões amarelos: Martins Indi, aos 43 min. do 1°t, Huntelaar, aos 15 min. do 1°t da pror (HOL); Demichelis, aos 3 min. do 2°t (ARG)
Súmula do jogo: aqui

Copa do Mundo 2014: Dia 27

HISTÓRICO!

HISTÓRICO!

Histórico. É a única palavra que me ocorre para descrever o jogo Alemanha 7×1 Brasil.

Histórico por diversos motivos: foi a maior goleada sofrida pela seleção brasileira em sua história (superando a derrota por 6×0 para o Uruguai na Copa América de 1920); foi a maior goleada em uma semi-final de Copa do Mundo; foi a maior derrota do país anfitrião de uma Copa do Mundo; a Alemanha superou o Brasil como a seleção a marcar mais gols na história das Copas; o Brasil igualou o seu maior número de gols sofridos em uma única Copa (11 gols sofridos, em 1938).

Além disso, foi o jogo em que Miroslav Klose se tornou o maior artilheiro de Copas do Mundo, com 16 gols (passando o brasileiro Ronaldo, com apenas 15). Feito que, a curto prazo, poderá ser batido apenas por seu companheiro de seleção Thomas Müller, que chegou a 10 gols.

Tudo isso (além de outros recordes que eu talvez não tenha tido notícia) em apenas 1 jogo. Enfim, não foi qualquer jogo. Foi histórico.


O Brasil entrou em campo com uma formação um pouco mais ofensiva do que de costume: com Bernard na ponta direita (para forçar jogadas de velocidade junto com Maicon em cima de Höwedes – ponto fraco da defesa alemã) e Oscar mais avançado, sem se dedicar à marcação tanto quanto nos últimos jogos. Os laterais brasileiros (e até os zagueiros) se alternavam no ataque, buscando impor uma pressão maior na defesa alemã.

Joachim Löw desistiu de seu invencionismo (tão criticado pela imprensa alemã) e desistiu de escalar Lahn no meio de campo (mantendo-o na lateral direita). Os alemães mantiveram seu jogo concentrado no meio de campo, como vinham fazendo durante toda a Copa, e conseguiram se sobrepor naquela faixa do campo com sua linha de 5 meio-campistas, tornando-se quase intransponível. Os volantes brasileiros Fernandinho e Luís Gustavo eram forçados a tocar bola com a defesa, que, por sua vez, era pressionada por Klose e mais um meia (Khedira e Kroos se alternavam nesta pressão), obrigando o Brasil a apelar para os lançamentos longos da defesa direto para o ataque.

Os técnicos mostraram suas cartas, cada um tentando se aproveitar dos pontos fracos do time adversário. E o jogo começou equilibrado.

Aos 9 minutos, Kroos cobrou um escanteio. Müller, se movimentou muito bem, livrando-se da marcação para fazer livre, no meio da área brasileira, o primeiro gol alemão. Falha de marcação. Coisa do jogo…

A partida continuou na mesma toada: Brasil tentando atacar e a Alemanha tentando dominar o meio de campo.

Aos 22 minutos a história começou a ser escrita: Kross faz boa jogada com Klose, que tabela com Müller dentro da área brasileira para torna-se o maior artilheiro das Copas.

No minuto seguinte, Lahn cruza uma bola rasteira para Müller, que a deixa passar, mas Kross, logo atrás, acerta o chute, no canto, e faz o terceiro gol da Alemanha no jogo.

E continuou assim: em 6 minutos a Alemanha fez 4 gols. Gols com cara de treino, com os alemães tocando bola dentro da área brasileira.

E a defesa brasileira, que vinha se destacando positivamente na competição, parecia nem estar em campo. A Alemanha não fazia força, os gols saiam com uma facilidade impressionante.

Com 5×0 no placar, a Alemanha até diminuiu seu ritmo.

O Brasil voltou um pouco melhor no segundo tempo, mas ainda tomou mais 2 gols da Alemanha em marcha lenta.

Era impressionante para todos os lados: a seleção brasileira atônita se entreolhava sem entender o que acontecia. A tv mostrava parte da torcida saindo do estádio, outros ficaram chorando… Do outro lado do campo, os alemães também estavam atônitos: era difícil de acreditar no que estava acontecendo! A torcida alemã comemorava balançando a cabeça, sem acreditar no que viam.

Em entrevista após o jogo, os jogadores reforçaram esta incredulidade. Müller disse: “Eu não consigo acreditar no que acabei de viver(…)“. Kroos também falou: “(…) Se alguém falasse que ganharíamos por 7 a 1, eu não acreditaria“.

A Alemanha escreveu um capítulo extraordinário na história do futebol. Esta vitória os coloca na final como favoritos absolutos, seja contra quem for. Mesmo que não sejam campeões, esta seleção ficará na história de seu país.

(Enquanto escrevo isso, os jornalistas na tv ficam discutindo infinitamente cada detalhe que talvez não tenha sido bem trabalhado na preparação da seleção brasileira, sobre cada frase dita pela comissão técnica na entrevista após o jogo, procurando, inconformados, uma explicação para a derrota. Explicação que não seja o fato de que o Brasil entrou em campo e foi incontestavelmente superado por seu adversário… A cada 4 anos acontece a mesma coisa: os dias após a derrota do Brasil é a parte mais chata das Copas. A autópsia da derrota. Mas, no final das contas, a única explicação de uma derrota é esta mesmo. É ter entrado em campo e ter sido superado por seu adversário. Todo o resto é inútil. E, geralmente, chato pra caramba).

E a torcida alemã ficou no estádio depois do jogo cantando “Rio de Janeiro-ô-ôô-ôô”.

Júlio César no chão, após um dos (muitos) gols alemães

Brasileiros atônitos se entreolham após um dos (muitos) gols alemães

Ah… Falando em recordes, Felipão e Vicente del Bosque não conseguiram bater o do técnico italiano Vittorio Pozzo, que se mantém como o único técnico a ter vencido 2 Copas do Mundo (1934 e 1938).


BRASIL 1 X 7 ALEMANHA

BRASIL: Júlio César; Maicon, David Luiz, Dante e Marcelo; Luiz Gustavo, Fernandinho (Paulinho, no intervalo) e Oscar; Hulk (Ramires, no intervalo), Bernard e Fred (Willian, aos 23 min. do 2°t). Técnico: Luiz Felipe Scolari

ALEMANHA: Neuer; Lahm, Boateng, Hummels (Mertesacker, no intervalo) e Höwedes; Schweinsteiger, Khedira (Draxler, aos 31 min. do 2°t), Kroos e Özil; Müller e Klose (Schürrle, aos 12 min. do 2°t). Técnico: Joachim Löw

Data: 8 de julho de 2014
Horário: 17h00 (de Brasília)
Local: Mineirão, em Belo Horizonte (MG)
Capacidade do estádio: 58.170
Público: 58.141
Árbitro: Marco Rodriguez (MEX)
Assistentes: Marvin Torrentera (MEX) e Marcos Quinteto (MEX)
Cartões amarelos: Dante, aos 22 min. do 2°t (BRA)
Gols: Müller, aos 9 min., Klose, aos 22 min., Kroos, aos 24 min. e aos 25 min., e Khedira, aos 29 min. do 1°t; Schürrle, aos 23 min. e aos 33 min. do 2°t (ALE). Oscar, aos 45min do 2º tempo
Súmula do jogo: aqui

Copa do Mundo 2014: Dia 24

Higuaín marca seu primeiro gol na Copa

Higuaín marca seu primeiro gol nesta Copa

Argentina x Bélgica seguiu o mesmo script dos 2 jogos anteriores das quartas: a Argentina saiu na frente logo no começo do jogo (com o primeiro gol do Higuaín nesta Copa – o camisa 9 da Argentina parece estar competindo com o Fred pela anti-artilharia da competição) e pôde segurar o placar, jogando no contra-ataque e deixando a obrigação de atacar para a Bélgica, que não teve as forças necessárias para virar o jogo.

O técnico belga Marc Wilmots ainda guardou uma “surpresa” para o segundo tempo: quando todos já estavam cansados, ele colocou em campo os dois destaques da última partida: Mertens e Lukaku. Mas eles pouco contribuíram para melhorar o jogo.

A Bélgica deixa a competição após mostrar um time consistente, dificílimo de ser vencido, mas sem dar nenhum espetáculo. Ganhou seus jogos sempre por placares apertados e não deixou nenhum grande jogo para ficar na memória. Espera-se que este time (majoritariamente jovem) faça algum estrago nos anos seguintes.

Argentina novamente venceu por 1 gol, sem facilidades. A má notícia foi a contusão de seu motor, Di María, ainda no primeiro tempo. Dificilmente ele conseguirá jogar a semi e é dúvida também para o último jogo da Argentina (seja a final, seja a decisão de terceiro lugar). Alguns jornais argentinos chegara a cravar que ele não jogaria mais na Copa, mas ele seguirá junto com o time, fazendo tratamento para tentar jogar.

O desfalque de Di María é enorme para a Argentina. Os outros jogadores precisarão de uma dedicação física muito maior para suprir a sua falta.


Sem Di María, também sobra muito mais pressão em cima de Messi, que, aos 27 anos joga sua terceira Copa. A segunda em que é o destaque do time. A primeira em que consegue avançar até as semi-finais (fase em que a Argentina não chegava desde 1990, quando Maradona vestia a camisa 10).

Em sua primeira Copa, em 2006, Messi ainda era uma promessa. Estava ganhando espaço no Barcelona e não estava nos planos do técnico da seleção argentina (José Pekerman), que só o levou por pressão da torcida. Ficou no banco e entrou no final de alguns jogos.

Em 2010, já era considerado o melhor do mundo, era titular absoluto e havia uma enorme expectativa em relação a ele. Mas, estranhamente, a mesma torcida que queria sua convocação em 2006 já questionava o jovem de 23 anos por não produzir tanto na seleção quanto no Barcelona. Diziam que ele não era argentino o bastante, que não tinha a mesma dedicação que tinha com o clube. Chamavam ele de “o estrangeiro”.

Ainda assim, Messi fez uma boa Copa em 2010, mas a “simpática desorganização” do time “dirigido” por Maradona o deixada sozinho constantemente, driblando um, dois, três adversários, sem ter para quem passar a bola. A derrota por 4×0 para a Alemanha nas quartas deixou clara a falta de organização da equipe. Não há como culpar um jogador por problemas na equipe inteira.

Mas, em 2014, Messi chega consagrado. Ele já venceu todos os prêmios individuais e todos os campeonatos possíveis com o Barcelona. Ele se acostumou a bater recordes e não há mais dúvidas sobre sua capacidade.

Ele não é mais o “jovem”: chega à Copa aos 27 anos, no seu auge físico. É certo que a última temporada foi marcada por contusões, o que acabou por poupá-lo de jogar o desgastante calendário de jogos do Barcelona inteiro como ele vinha fazendo.

Além disso, o técnico Sabella montou a seleção em volta dele: todos jogam por Messi. Dizem até que ele influenciou a lista de convocação (“vetandoTévez, que, apesar de ter tido uma temporada extraordinária pela Juventus, teve alguma desavença com Messi e não entrou na lista de Sabella).

Nunca mais haverá uma Copa tão positiva para Messi individualmente. É o título que falta na sua carreira (e deve ser a última grande chance de ele vencê-lo: não dá para contar que ele conseguira produzir tanto quanto hoje daqui a 4 anos, aos 31).

A Argentina teve a sorte de ter uma situação parecida apenas uma vez: em 1986 com Maradona. E um raio não cai duas vezes no mesmo lugar. Mas caiu. Na Argentina. Que não pode perder esta oportunidade. Não dá pra acreditar que haverá condições tão positivas mais uma vez na história de um país. E tudo isso na casa do seu maior rival. Não há mais espaço para erros. A Argentina tem que ser campeã.


ARGENTINA 1 x 0 BÉLGICA

Argentina: Romero; Zabaleta, Demichelis, Garay e Basanta; Mascherano, Biglia e Di Maria (Pérez); Messi, Lavezzi (Palacio) e Higuaín (Gago). Técnico: Alejandro Sabella

Bélgica: Courtois; Alderweireld, Kompany, Van Buyten e Vertonghen; Witsel, Fellaini, Mirallas (Mertens), De Bruyne e Hazard (Chadli); Origi (Lukaku). Técnico: Marc Wilmots

Data: 05/07/2014 – 13h
Local: Mané Garrincha (Brasília)
Capacidade do estádio: 69.349
Público: 68.551
Árbitro: Nicola Rizzoli (ITA)
Auxiliares: Renato Faverani e Andrea Stefani (ITA)
Cartões amarelos: Biglia (Argentina); Hazard e Alderweireld (Bélgica)
Gols: Higuaín, aos 7 min do 1º tempo
Súmula do jogo: aqui

 

Krul: o herói inesperado

Krul: o herói inesperado

O melhor jogo das quartas ficou para o final. Após 3 jogos muito equilibrados e sem grandes emoções, chegava a hora dos heróis da Costa Rica tentarem mais um passo impossível em sua caminhada pela Copa de 2014.

A Costa Rica jogou como sempre: com a defesa muito bem organizada, uma ótima linha de impedimento (os holandeses caíram nela por 13 vezes) e com um ataque que levava perigo sempre que avançava. Mas avançou pouco. E isso tornou o jogo dramático. A Holanda dominou a posse de bola (ficou com ela 64% do tempo) e simplesmente massacrou o goleiro Navas: foram 20 chutes a gol, sendo 15 no alvo, contra apenas 6 chutes costa-riquenhos, sendo 3 no alvo.

Mas os números não conseguem passar a tensão que foi o jogo, as bolas tiradas em cima da linha, as defesas maravilhosas de Navas, os contra-ataques rápidos…

Após a atuação heroica da defesa da Costa Rica vieram os pênaltis. E o impressionante pragmatismo de Louis Van Gaal, que guardou uma substituição para o final da prorrogação e, no último instante de jogo, tirou seu goleiro titular Cillessen para colocar o reserva Krul, quem ele acreditava ser a melhor opção para pegar os pênaltis. E ele realmente era: ele foi para o canto certo em todas as cobranças e pegou 2. Krul acabou sendo o herói inesperado da classificação.

E a Costa Rica volta pra casa com um resultado muito melhor do que poderia se esperar: eliminada invicta nas quartas de final.


Alguns anos atrás, eu escrevi aqui um texto sobre a carreira de Van Gall, contanto sobre como um dos maiores técnicos do mundo nos anos 1990 praticamente desapareceu do mapa na primeira década dos anos 2000 após um grande fracasso. Este fracasso foi sua primeira passagem pela seleção holandesa (de 2000 a 2002) quando não conseguiu classificar seu país para a Copa do Mundo de 2002.

Depois do fracasso, o técnico passou novamente pelo Barcelona e depois foi trabalhar como diretor do Ajax, mas nada parecia dar certo para ele.As vitórias, tão abundantes nos anos 1990, não vinham mais e ele era demitido em pouco tempo.

Mas Van Gaal é pragmático e decidiu começar tudo de novo. Em 2005, para a surpresa de todos, ele assumiu o cargo de técnico no pequeno AZ (time cujo único grande título era o campeonato holandês da temporada 1980-81). E lá ficou até ser campeão holandês, na temporada 2008-09, fechando sua década perdida.

Na temporada seguinte foi convidado parra dirigir o Bayern de Munique, onde montou o time campeão alemão e vice-campeão da Champions League 2009-10. Finalmente ele retomava sua carreira vencedora.

Em 2012 veio a proposta que ele esperava: voltar à seleção holandesa para se redimir de seu maior fracasso. Com o desafio de mudar a forma do time jogar e ainda superar o resultado de seu antecessor: o técnico Bert van Marwijk, considerado muito retranqueiro pela imprensa holandesa, mas que levou a seleção ao vice-campeão de 2010 e bateu recordes de invencibilidade e de aproveitamento durante o período em que dirigiu o time (2008 a 2012).

Some-se a tudo isso a pressão que a Holanda sente para ser campeã desde a década de 1970, quando foi vice 2 vezes seguidas, perdendo a final para os donos da casa em 1974 (Alemanha) e em 1978 (Argentina).

Após o fracasso da geração de Cruijff, houve um vácuo no início dos anos 1980, seguido por uma geração talvez ainda mais genial, liderada por Rijkaard, Koeman, Van Basten e Gullit. Geração que venceu a Euro de 1988 (único título relevante da seleção holandesa) mas que não conseguiu repetir o resultado na Copa de 1990: eliminados nas oitavas pela Alemanha.

Renovada, a seleção agora liderada por Dennis Bergkamp, foi melhor em 1994, mas terminou eliminada nas quartas (pelo Brasil). Em 1998, a geração revelada pelo próprio Van Gaal (no Ajax campeão da Champions da temporada 1994-95) a Holanda voltou a jogar uma semi-final. Apenas para ser mais uma vez derrotada pelo Brasil.

Em 2002 veio o fracasso de Van Gaal: não se classificaram para a Copa.

Este foi um ponto de virada na história da seleção. Começava mais uma reformulação. Van Basten foi chamado para dirigir o time com  a missão de aposentar a geração de Van Gaal, que foi muito vitoriosa nos clubes, mas sem resultados relevantes na seleção.

Esta renovação foi liderada por Robben, Sneijder e Van Persie, os novos craques holandeses. Após uma campanha invicta nas eliminatórias, chegaram como favoritos à Copa de 2006. Mas, mais uma vez, foram eliminados nas oitavas. Desta vez pela seleção portuguesa (dirigida pelo brasileiro Felipão) no jogo mais violento da história das Copas.

Mas esta geração era mais forte do que as anteriores, e as intermináveis séries invictas aumentaram com o técnico Bert van Marwijk, que levou o time até a final em 2010.

Nunca um título de Copa do Mundo esteve tão bem construído por um país. Geração após geração, a seleção ficou mais pragmática, mais vencedora. Além do desafio pessoal de Van Gaal, há o desafio pessoal de seu trio de ataque, em sua terceira Copa (e provavelmente última Copa), eles também querem se redimir da derrota em 2010. Daquela bola que Robben recebeu de Sneijder na frente de Casillas… A Holanda não pode desperdiçar mais uma geração genial. Van Gaal precisa terminar sua redenção, precisa deixar a sua marca na história das Copas.

E eles já expurgaram um de seus maiores fantasmas (a Espanha, goleada logo na abertura desta Copa). É hora de expurgar os outros fantasmas. Os outros 3 países que não os deixam ser campeões: Alemanha, Argentina e Brasil. Não há mais espaço para erros. A Holanda tem que ser campeã.


HOLANDA 0 (4) X (3) 0 COSTA RICA

HOLANDA: Cillessen (Krul, aos 15 min. do 2°t da pror.); Bind, Martins Indi (Huntelaar, no intervalo da pror.), Vlaar e De Vrij; Kuyt, Wijnaldum, Sneijder e Memphis Depay (Lens, aos 30 min. do 2°t); Robben e Van Persie
Técnico: Louis Van Gaal

COSTA RICA: Navas; Acosta, Gonzalez, Umaña e Junior Diaz; Celso Borges, Gamboa (Myrie, aos 32 min. do 2°t), Tejeda (Cubero, aos 6 min. do 1°t da pror), Bolaños e Bryan Ruiz; Joel Campbell (Ureña, aos 20 min. do 2°t)
Técnico: Jorge Luis Pinto

Data: 5 de julho de 2014
Horário: 17h00 (de Brasília)
Local: Fonte Nova, em Bahia (BA)
Capacidade do estádio: 51.900
Público: 51.179
Árbitro: Ravshan Irmatov (UZB)
Assistentes: Abduxamidullo Rasulov (UZB) e Bakhadyr Kochkarov (QUI)
Cartões amarelos: Junior Diaz, aos 37 min. do 1°t, Umaña, aos 6 min., Gonzalez, aos 35 min. do 2°t, Acosta, a 1 min. do 2°t da pror.) (CRC); Martins Indi, aos 18 min. do 2°t (HOL)
Súmula do jogo: aqui

Copa do Mundo 2014: Dia 23

Alemães comemoram a vitória

Alemães comemoram a vitória: quarta Copa consecutiva nas semi-finais

A França vinha se mostrando uma equipe forte, atropelando qualquer um que vacilasse na sua frente. Só que a Alemanha não vacilou: com o gol de cabeça do zagueiro Hummels logo no começo do jogo, não precisou se expor e pôde jogar com calma, usando apenas o contra-ataque e sem precisar se expor muito.

Era a hora de a França mostrar o “algo a mais” da equipe que quer ser campeã, mas o “algo a mais” não apareceu. Nem na grande estrela do meio de campo Pogba, nem no habilidoso Valbuena, nem no matador Benzema. Quando finalmente conseguiam passar pelo inacreditável Hummels (que fez um jogo perfeito e terminou eleito o melhor em campo), os franceses paravam no gigante Neuer.

Nos últimos instantes do jogo, quando já não tinham mais nada a perder e deveriam ir para frente com tudo, com desespero, e fazer mais um final emocionante (como vimos em tantos jogos das oitavas), faltou algo, de novo (mais preparo físico, mais vontade… Difícil dizer).

A Alemanha (que esteve sempre mais perto do segundo gol do que os franceses do empate) manteve sua calma e administrou o jogo até o final. E com esta calma chega pela quarta Copa seguida às semi-finais.


 

A estadia e a preparação alemã no Brasil também tem sido calma. Hospedados em uma paradisíaca praia na Bahia, isolados do mundo, os alemães têm ganhado a torcida divulgando suas fotos com camisas de times brasileiros, fazendo passeios turísticos e até divulgando vídeos dos jogadores torcendo pelo Brasil.

Mas a calma na concentração alemã não corresponde ao desespero do lado de fora: o técnico Joachim Löw é ferrenhamente contestado pela imprensa e torcida por suas escolhas pouco ortodoxas (principalmente por sua insistência em colocar o lateral Lahm no meio de campo e adaptar zagueiros, como Boateng, nas laterais) e por as atuações da seleção estarem longe de ser orgulho nacional. Apesar da aparente calma, não fosse a incompetência de Gana e Portugal, a classificação na primeira fase teria sido muito complicada (não esqueça que os alemães apenas empataram com Gana e sofreram para vencer os EUA), seguida de uma batalha de 120 minutos contra a Argélia nas oitavas (que esteve perto de mais de eliminar precocemente a Alemanha). O caminho alemão não foi nada fácil até agora.

Além do presente, Joachim Löw tem de lidar com o passado, que pesa muito em suas costas: a Alemanha não é campeã do mundo desde 1990 (alguém aqui é velho o bastante para lembrar de como era a vida do técnico da seleção brasileira na Copa de 1994, quando o Brasil também estava há 24 anos buscando o tetra?) e não ganha um título desde a Euro de 1996.

Após falhar na busca pelo tetra em 1994 e 1998, os alemães se depararam com um problema poucas vezes enfrentado em sua história: a Copa da França marcou a aposentadoria melancólica da geração do tri, e não havia quem os substituísse. Começava um trabalho de base visando as próximas Copas, tentando incentivar os times locais a investirem mais em jogadores jovens do que simplesmente continuar trazendo estrangeiros para compor seus times. Mas havia uma urgência: em 4 anos era preciso ter um time para disputar a próxima Copa.

Conseguiram montar para a Copa de 2002 um time com alguns jogadores veteranos, poucos jovens e até alguns naturalizados (caso do polonês Miroslav Klose). Este time remendado superou todas as expectativas: foram vice-campeões.

Mas aquele time era uma entressafra e teria que mudar muito para enfrentar um desafio muito maior na sequência: mostrar os primeiros resultados do trabalho de base iniciado após a Copa de 1998 já em 2006, quando a eterna favorita Alemanha iria ser o país anfitrião da Copa.

A missão impossível foi dada ao herói nacional Jürgen Klinsmann (herói como jogador, pois não tinha nenhuma experiência relevante como técnico), que convidou Joachim Löw para ser seu auxiliar (o convite veio pela amizade e pela confiança de Klinsmann, pois Löw também não tinha um currículo relevante como técnico).

Eles assumiram o time após a Euro 2004 e conseguiram montar um time que seria a semente para as copas seguintes: com jovens como Lahm, Mertesacker, Schweinsteiger e Podolski (além de alguns não tão jovens como Klose, em sua segunda Copa e outros já experientes, como, Kahn e Ballack, ambos disputando sua última Copa). Mesmo com um time que estava longe de ser o favorito e era cheio de jovens pouco conhecidos, A Alemanha novamente se superou e conseguiu terminar a competição com um honroso terceiro lugar.

Essa nova geração revelada em 2006 e finalista da Euro 2008, chegou à Copa de 2010 reforçada por mais alguns excelentes jovens (como Neuer, Khedira, Özil, Müller e Kroos) e recuperou seu status de favorita. E eles corresponderam ao esperado,fizeram jogos incríveis (como as goleadas de 4×0 sobre a Argentina e de 4×1 sobre a Inglaterra) e terminaram em terceiro lugar (novamente) perdendo a semi-final para os campeões espanhóis.

O time (ainda muito jovem em 2010) voltou no seu auge físico para a Copa de 2014. Foram poucas as mudanças no time titular. Mas agora a paciência da torcida alemã acabou. O técnico Joachim Löw sofre uma pressão muito maior do que nas Copas anteriores, o que se justifica não só por ele já ter uma década de história no comando da seleção alemã, não só pelos 24 anos de espera pelo título, não só por ter batido na trave em 3 Copas seguidas, mas também pelo medo que os alemães têm de perder uma de suas gerações mais geniais (que vai começar a aposentar os remanescentes de 2006) sem chegar ao tão sonhado título. Não há mais espaço para erros. A Alemanha tem que ser campeã.


FRANÇA 0 x 1 ALEMANHA

França: Lloris; Debuchy, Varane, Sakho (Koscielny) e Evra; Cabaye (Rémy), Pogba e Matuidi; Valbuena (Giroud), Griezmann e Benzema. Técnico: Didier Deschamps

Alemanha: Neuer; Lahm, Boateng, Hummels e Howedes; Khedira, Schweinsteiger, Kroos (Kramer) e Özil (Götze); Müller e Klose (Schürrle). Técnico: Joachim Löw

Data: 04/07/2014 – 13h
Local: Maracanã (Rio de Janeiro)
Capacidade do estádio: 74.738
Público: 74.240
Árbitro: Nestor Pitana (ARG)
Auxiliares: Hernan Maidana e Juan Pablo Belatti (ARG)
Cartões amarelos: Khedira e Schweinsteiger (Alemanha)
Gols: Hummels, aos 12 min do 1º tempo
Súmula do jogo: aqui

 

Segundo gol do Brasil

Gol de falta do Sideshow Bob mata a Colômbia (Bart Simpson que se cuide)

O Brasil jogou melhor do que vinha jogando. Pelo menos defensivamente. O meio de campo com os volantes FernandinhoPaulinho (suprindo bem a falta do incansável Luís Gustavo, que estava suspenso) melhorou o toque de bola e a proteção à defesa brasileira. Os jogadores mais avançados do time mantiveram a marcação por pressão e não deram espaço para a Colômbia jogar. Xeque-mate de Felipão em José Pekerman.

A Colômbia não conseguiu mostrar nem sombra do futebol que vinha jogando, exceto por alguns lampejos de Cuadrado e algumas boas jogadas de linha de fundo (principalmente com Armero). Mas o melhor jogador colombiano em campo foi o perfeito zagueiro Yepes (que, aos 38 anos disputou sua primeira e, provavelmente, última Copa do Mundo).

James Rodriguez recebeu o tratamento que um craque merece: foi completamente cercado pela defesa brasileira. Sem espaço, ele até tentou, mas não conseguiu fazer suas jogadas extraordinárias (mas conseguiu marcar seu sexto gol na Copa, de pênalti, e corre o risco de acabar como artilheiro). Pekerman insistiu na formação de ataque que ele deve considerar a ideal, sem Jackson Martinez, apesar de seus bons jogos nas partidas anteriores.

O jogo foi dominado pelo Brasil, que conseguiu sair na frente logo no início do jogo (gol de Thiago Silva em cobrança de escanteio), vantagem que se demonstrou enorme no decorrer do jogo que foi majoritariamente disputado no meio de campo, com pouquíssimas chances de gol para os dois lados.

Na metade do segundo tempo, o Brasil aumentou sua vantagem com uma cobrança de falta perfeita de David Luiz, que vem tendo uma Copa praticamente perfeita (foi até destacado pela FIFA ao final das oitavas de final por ser o jogador com as melhores estatísticas da competição).

Este momento deve ficar na memória da torcida brasileira como uma boa recordação: por alguns instantes tudo era perfeito. A seleção dominava o jogo, tinha uma boa vantagem no placar e não havia problemas a serem enfrentados (exceto pelo cartão amarelo que Thiago Silva recebeu e que irá suspendê-lo nas semi-finais – mas nem isso parecia um problema tão grande, já que seu provável substituto, Dante, chegou a ser cotado como titular do time durante a preparação para a Copa).

É assim que se sente uma seleção favorita a vencer a Copa.

Mas durou pouco. Menos de 10 minutos.

Bacca sofreu pênalti de Júlio César. James Rodriguez bateu bem e diminuiu, colocando a Colômbia no jogo novamente, faltando ainda 10 minutos para o final do jogo. A Colômbia tinha a chance de pressionar, de levar o jogo para a prorrogação. Acabou sendo um final mais tenso do que o planejado pelos brasileiros (e menos intenso do que a Colômbia precisava).

(Uma pena que mais um grande time desta Copa se despede da competição sem fazer o grande jogo que todos esperavam).

Já nos últimos instantes, Zuñiga fez uma falta em Neymar para impedir um contra-ataque. Não conseguiu: Oscar recebeu a bola e o árbitro deu a vantagem. A jogada não deu em nada. Aí todos perceberam que Neymar continuava no chão com muita dor e com Marcelo ao seu lado fazendo sinal para os médicos entrarem em campo logo.

Pouco depois do final do jogo veio a notícia: uma das maiores estrelas deste mundial e centro do esquema tático brasileiro havia sofrido uma fratura e não terá condições de se recuperar para os próximos jogos. Neymar está fora da Copa.

São poucos entre as quartas e as semi-finais, mas muita coisa mudou para o Brasil nestes últimos 10 minutos de jogo.

O Brasil enfrentará a Alemanha na semi-final e Felipão terá poucos dias para lidar com dois aspectos na preparação para este jogo. O primeiro (que ele domina como poucos) é o de manter a confiança do time e superar a adversidade. Sua maior característica como técnico sempre foi o de lidar com elencos limitados, obrigando seus jogadores a se superarem na busca do resultado (que, é verdade, nem sempre veio, mas suas equipes sempre mantiveram um altíssimo nível de competitividade). O segundo aspecto (que nunca foi o seu forte) é a necessidade de reformular a organização do time. Geralmente ele monta um esquema tático e encaixa os jogadores nele. Mas a perda de seu principal jogador não pode ser tratada como uma questão de meramente colocar um reserva em campo e acreditar que o jogo correrá da mesma forma.


 

Após a sensação de “segunda chance” que veio da suada vitória contra o Chile nas oitavas, o time ficou mais “cascudo” e parece que entendeu qual o nível superação necessária que cada jogador precisa ter para que a equipe seja campeã. Para o Blog do PVC, a contusão de Neymar pode ser a “cicatriz” que faltava para este time tentar ser campeão.

Este time se formou e teve uma preparação rápida e tranquila, que começou há pouco mais de um ano (quando Felipão assumiu o cargo de técnico) e teve como ponto central a vitória (tranquila) da Copa das Confederações de 2013.

Esta falta de cicatrizes no grupo pode ser atribuída ao vácuo na passagem de gerações na história recente da seleção brasileira: após o penta em 2002 e a decepção de 2006, a CBF (sem a coragem de admitir seus erros na preparação para a Copa de 2006) achou mais fácil culpar os jogadores e resolver aposentar da seleção forçosamente toda uma geração de campeões mundiais.

Para a Copa de 2010 foi trazido Dunga, com muito pouca experiência como técnico e com a missão de promover esta ruptura com o passado. Ele até fez um bom trabalho e conseguiu montar um time forte que superou a maioria de seus desafios, mantendo o compromisso de fazer isso sem a maioria das estrelas que desapontaram em 2006.

Após liderar esta ruptura e sem conseguir vencer a Copa de 2010, Dunga foi eleito o bode expiatório pelas mesmas pessoas que o colocaram no comando da seleção e foi demitido. Junto com ele, boa parte dos jogadores que estiveram na Copa de 2010 também deixaram a seleção definitivamente (seja por já terem idade avançada, por problemas físicos ou simplesmente porque apareceram jogadores melhores nas suas posições).

Apenas 5 jogadores sobreviveram a este vácuo artificialmente implantado na seleção (Fred, que era reserva em 2006; Júlio César, reserva em 2006 e titular em 2010; Thiago Silva, reserva em 2010 e os laterais Maicon e Daniel Alves, que alternaram na posição em 2010). Todos os outros 18 jogadores convocados são estreantes em Copa e têm pouca experiência na seleção (por isso a falta de cicatrizes).

E a falta de cicatrizes pesa ainda mais pela pressão sem precedentes que este grupo sofre. Por mais que não se diga em voz alta, esta não é apenas uma Copa sediada no Brasil. Esta é a segunda Copa sediada no Brasil. A Copa que quer superar o trauma de 1950. A Copa que em nenhum momento considerou a hipótese de demolir o Maracanã para reerguer um estádio mais moderno. Não. O Brasil manteve ele em pé e apenas o reformou a um custo extraordinário porque sente a necessidade de jogar uma final lá novamente. E precisa ganhar dessa vez, de qualquer jeito. Não há mais espaço para erros. O Brasil tem que ser campeão.


BRASIL 2 X 1 COLÔMBIA

BRASIL: Júlio César; Maicon, Thiago Silva, David Luiz e Marcelo; Fernandinho, Paulinho (Hernanes, aos 40 min. do 2°t) e Oscar; Neymar (Henrique, aos 42 min. do 2°t), Hulk (Ramires, aos 37 min. do 2°t) e Fred
Técnico: Luiz Felipe Scolari

COLÔMBIA:  Ospina; Zuñiga, Zapata, Yepes e Armero; Sanchez, Guarín, James Rodriguez e Cuadrado (Quintero, aos 35 min. do 2°t); Ibarbo (Adrián Ramos, no intervalo) e Teófilo Gutierrez (Bacca, aos 27 min. do 2°t)
Técnico: José Pekerman

Data: 4 de julho de 2014
Horário: 17h00 (de Brasília)
Local: Castelão, em Fortaleza (CE)
Capacidade do estádio: 60.342
Público: 60.342
Árbitro: Carlos Velasco Carballo (ESP)
Assistentes: Roberto Alonso Fernandez (ESP) e Juan Yuste (ESP)
Cartões amarelos: Thiago Silva, aos 17 min., Júlio César, aos 31 min. do 2°t (BRA); James Rodriguez, aos 21 min., Yepes, aos 27 min. do 2°t (COL)
Gols: Thiago Silva, aos 6 min. do 1°t, David Luiz, aos 23 min. do 2°t (BRA); James Rodriguez, de pênalti, aos 34 min. do 2°t (COL)
Súmula do jogo: aqui

Copa do Mundo 2014: Dia 20

Depois de 117 minutos, finalmente Di María conseguiu fazer a bola passar por Benaglio

Depois de 117 minutos, finalmente Di María conseguiu fazer a bola passar por Benaglio

A Argentina continua travando seu caminho sofrido pela Copa, sempre vencendo no limite: 1×0, com gol no final da prorrogação.

A Suíça fez um grande jogo taticamente, segurando o meio de campo, organizando sua defesa e com uma grande exibição do goleiro Benaglio. Nem dava para acreditar que era o mesmo time que tomou 5 gols da França na primeira fase. É a mão do experiente técnico Ottmar Hitzfeld, que soube mexer no time.

Sabendo que não era o favorito e que o adversário tem jogadores com alto poder de decisão, Hitzfeld recuou seu meio de campo que, com muita dedicação física, conseguiu equilibrar uma função defensiva mais consistente do que nos jogos anteriores com a necessidade de atacar. Shaqiri ficou mais livre para criar (assim como já havia feito no jogo contra Honduras) e quase desequilibrou criando grandes oportunidades, mas a Suíça errou quase todas as suas finalizações.

A Argentina também estava mais organizada. O técnico Alejandro Sabella colocou mais ordem no seu meio de campo, que também teve um jogo de muita exigência física dos jogadores com responsabilidade maior do que tiveram na primeira fase de marcar o adversário antes que ele passasse do meio de campo. Deu resultado: sua defesa teve um jogo mais estável.

O jogo era difícil, pegado e muito concentrado no meio de campo. E o tempo foi passando. E, mais um jogo das oitavas foi para a prorrogação.

Di María é o motor da Argentina e, em jogos especialmente desgastantes (como este), ele se torna uma vantagem extraordinária. Incansável, ele sempre se torna o principal jogador em campo nas prorrogações. Mas, o goleiro Benaglio, que fazia um jogo excelente, subiu para o nível de extraordinário, e continuou parando os argentinos.

Argentina queria resolver o jogo. A Suíça parecia mais interessada nos pênaltis. Mas, no final do segundo tempo da prorrogação, Messi avança com a bola dominada, vê Di María entrando à sua direita e toca a bola para ele chutar cruzado com perfeição e marcar seu primeiro (e merecido gol) nesta Copa.

Aí a Suíça foi ao ataque no desespero. Até o goleiro avançou. E, em uma cobrança de falta, Dzemaili, dentro da pequena área, dá uma cabeçada fatal. O goleiro Romero nem teve tempo de ver onde a bola ia. E ela foi na trave, bateu na perna de Dzemaili e saiu pela linha de fundo. Todos os jogadores suíços levaram as mãos à cabeça por ver sua última chance ir embora. O jogo estava perdido. Mas no último instante, Shaqiri  sofre uma falta quase na linha da área argentina: era a grande chance! Ele mesmo bateu a falta… Que desviou na barreira e, na sequência, veio o apito final. Agora sim os suíços desabaram no chão, enquanto o estádio de Itaquera (tomado por argentinos) explode.

Se os jogos da primeira fase eram espetaculares, os jogos das oitavas foram extremamente equilibrados. As equipes eliminadas estão caindo de pé e saem da competição com orgulho (e com a frustração) por saber que jogou de igual e que tinha todas as condições para avançar às quartas.

O técnico Ottmar Hitzfeld entrou no campo para consolar seus jogadores no final, e comparou a frustração desta derrota com a épica final da Champions de 1999 (quando seu time, Bayern de Munique vencia o jogo até os 46 minutos do segundo tempo, e tomou a virada do Manchester United aos 48). Em entrevista após o jogo, ele ainda disse:

Fizemos o jogo que tínhamos de fazer, mas vimos do que a Argentina é capaz com espaços. Se tivéssemos jogado no ataque, talvez tivéssemos tomado mais gols do que contra a França. A ideia era frear o Messi marcando-o com três ou quatro jogadores, mas contra um rival assim não podemos nos concentrar em um só jogador, e o Di María demonstrou que apenas um grande arremate hoje podia bater o Benaglio. Parabenizei os jogadores pela reação no final. Hoje a Suíça recebeu o reconhecimento de muita gente em todo o mundo, e os jogadores devem ir embora com a cabeça erguida. Quanto ao meu futuro, deixo de trabalhar como treinador para viver uma vida mais tranquila.

E foi com este grande jogo tático que um dos maiores técnicos da história do futebol europeu encerrou sua carreira.

E a Argentina continua sua caminhada na Copa. Como sempre, aos trancos e barrancos.


ARGENTINA 1 X 0 SUÍÇA

Argentina: Romero; Zabaleta, Garay, Fede Fernández e Rojo (Basanta); Mascherano, Gago (Biglia) e Di María; Lavezzi (Palacio), Messi e Higuaín. Técnico: Alejandro Sabella

Suíça: Benaglio; Lichtsteiner, Djourou, Schär e Ricardo Rodriguez; Behrami, Inler, Xhaka (Gelson Fernandes), Mehmedi (Dzemaili) e Shaqiri; Drmic (Seferovic). Técnico: Ottmar Hitzfeld

Data: 01/07/2014 – 13h
Local: Itaquerão (São Paulo)
Capacidade do estádio: 62.601
Público: 63.255
Árbitro: Jonas Eriksson (SUE)
Auxiliares: Mathias Klasenius e Daniel Warnmark (SUE)
Cartões amarelos: Rojo, Dí María e Garay (Argentina); Xhaka e Gelson Fernandes (Suíça)
Gols: Dí María, aos 12 min do 2º tempo da prorrogação
Súmula do jogo: aqui

 

Howard bateu recorde de defesas em um jogo de Copa, mas não conseguiu para a Bélgica

Howard bateu recorde de defesas em um jogo de Copa, mas não conseguiu para a Bélgica

No último jogo dessas oitavas marcadas, como eu disse acima, pelo equilíbrio entre as equipes,até os limitados nigerianos, gregos e americanos conseguiram ser muito competitivos.

Mas, revendo os meus textos, percebi que o verdadeiro destaque ficou por conta das excelentes atuações dos goleiros. Veja os meus textos abaixo: França x Nigéria: o destaque foi o goleiro nigeriano Enyeama; Alemanha x Argélia: destaquei os dois goleiros, Neuer e Rais M’Bolhi; México x Holanda: o goleiro holandês Cillessen fez um bom jogo, mas Ochoa foi o maior destaque do jogo; Costa Rica x Grécia: o goleiro Navas decidiu o jogo; Brasil x Chile: Júlio César garantiu o empate e ainda segurou 2 pênaltis. Apenas no jogo Colômbia x Uruguai o destaque foi um jogador de linha (James Rodríguez), apesar de que o goleiro colombiano Ospina teve uma ótima atuação, destacada no final do texto.

E justo no último jogo desta fase marcada pelo goleiros, aconteceu mais um zero a zero emocionante que foi para uma prorrogação de tirar o fôlego.

O goleiro belga Courtois jogou bem e garantiu o zero nos 90 minutos, mas o goleiro americano Tim Howard foi massacrado com 38 (!) chutes a gol dos belgas, o que o obrigou a bater o recorde de maior número de defesas em um jogo de Copa do Mundo: foram 16 defesas (passando a marca histórica que o goleiro peruano Ramón Quiroga detinha desde a Copa de 1978, quando fez 13 defesas contra a Holanda, garantindo o zero a zero no placar do jogo da fase de grupos. O terceiro lugar desta lista fica com o colombiano Faryd Mondragón, da Colômbia, com 12 defesas no jogo que eu lembrei recentemente, contra a Inglaterra na Copa de 1998, que terminou com a vitória de 2×0 para os ingleses).

Mas, apesar da atuação heroica do goleiro americano,o massacre belga começou a se transformar em vitória com a entrada do atacante Lukaku (que era titular nos primeiros jogos, mas perdeu a posição para Origi e, aparentemente, quer recuperá-la). Logo na sua primeira jogada, Lukaku colocou De Bruyne na cara do gol que, desta vez, não desperdiçou. Ainda no primeiro tempo da prorrogação, foi a vez de De Bruyne fazer o passe para Lukaku marcar 2×0.

Tudo parecia perdido, quando o técnico Klinsmann colocou o surpreendente Julian Green, de apenas 19 anos de idade e 45 minutos de carreira profissional (isso mesmo: Klinsmann convocou um cara que tinha jogado apenas meio jogo. Tudo bem que foram 45 minutos pelo Bayern de Munique, mas ainda assim, é surpreendente) que marcou o gol americano logo no seu primeiro toque na bola e manteve a emoção no jogo.

Mas não deu para os EUA e é a Bélgica quem vai enfrentar a Argentina nas quartas.

Com este placar, e encerrada a fase de oitavas e final, já são 154 gols nos 56 jogos disputados (a média de gols continua alta: 2,75 gols por jogo. E os jogos continuam ótimos).


BÉLGICA 2 X 1 EUA

BÉLGICA: Courtois; Alderweireld, Van Buyten, Kompany e Vertonghen; Witsel, De Bruyne, Fellaini e Hazard; Mertens (Mirallas, aos 15 min. do 2°t) e Origi (Lukaku, antes da prorrogação)
Técnico: Marc Wilmots

EUA: Howard; Cameron, Besler, Gonzales e Beasley; Johnson (Yedlin, aos 32 min. do 1°t), Bedoya (Green, aos 17 min. do 1°t da prorrogação),  Jones e Bradley; Dempsey e Zusi (Wondolowski, aos 27 min. do 2°t)
Técnico: Jürgen Klinsmann

Data: 1° de julho de 2014
Horário: 17h00 (de Brasília)
Local: Fonte Nova, em Salvador (BA)
Capacidade do estádio: 51.900
Público: 51.227
Árbitro: Djamel Haimoudi (ALG)
Assistentes: Redouane Achik (ALG) e Abdelhak Etchiali (ALG)
Cartões amarelos: Cameron, aos 18 min. do 1°t (EUA); Kompany, aos 41 min. do 1°t (BEL)
Gols: De Bruyne, aos 2 min, Lukaku, aos 14 min. do 1°t da prorrogação (BEL); Green, a 1 min. do 2°t da prorrogação (EUA)
Súmula do jogo: aqui

Copa do Mundo 2014: Dia 19

Enyeama: novamente o nome do jogo

Enyeama: novamente o nome do jogo

A Nigéria só se classificou para as oitavas aos trancos e barrancos porque estava em um grupo muito ruim (com Irã e Bósnia fazendo jogos terríveis). Por isso e por causa de seu goleiro, Enyeama. Porque, fora o ótimo jogo de Musa contra a Argentina, todos os outros nomes de destaque da Nigéria (Mikel, Onazi, Moses) praticamente passaram em branco.

A França, por outro lado, vinha como uma equipe forte, com um dos melhores ataques da competição e se destacando na primeira fase.

Mas, em campo, as seleções iam fazendo um jogo equilibrado (que foi até chato no primeiro tempo). No segundo tempo, a seleção francesa mudou seu ataque (saiu o apagado Giroud e entrou Griezmann) e, finalmente, os franceses começaram a desequilibrar o jogo, obrigando o goleiro Enyeama a ser, mais uma vez o grande destaque da seleção nigeriana.

E ele fez um jogo quase perfeito, evitando uma goleada francesa. Até que falhou, mas, e Pogba estava lá para fazer um a zero para a França.

A Nigéria até tentou uma reação, mas se desorganizou na defesa e, logo em seguida, tomou mais um gol. Um gol contra de Yobo (que comemorava seu centésimo jogo com a camisa da seleção).

O árbitro cometeu no decorrer do jogo diversos erros (uns discutíveis, outros nem tanto) sempre contra a Nigéria, mas é difícil de imaginar que os africanos teriam forças para vencer a França.


FRANÇA 2 x 0 NIGÉRIA

França: Lloris; Debuchy, Varane, Koscielny e Evra; Matuidi, Pogba, Cabaye e Valbuena (Sissoko); Giroud (Griezmann) e Benzema. Técnico: Didier Deschamps

Nigéria: Enyeama; Ambrose, Oshaniwa, Yobo e Omeruo; Mikel, Onazi (Reuben Gabriel), Musa, Moses (Uche Nwofor) e Odemwingie; Emenike. Técnico: Stephen Keshi

Data: 30/06/2014 – 13h
Local: Mané Garrincha (Brasília)
Capacidade do estádio: 69.349
Público: 67.882
Árbitro: Mark Geiger (EUA)
Auxiliares: Mark Sean Hurd e Joe Fletcher (EUA)
Cartão amarelo: Matuidi (França)
Gols: Pogba, aos 34 min, e Yobo (contra) aos 46 min do 2º tempo
Súmula do jogo: aqui

 

Frustração dos argelinos ao tomarem o segundo gol na prorrogação

Frustração dos argelinos ao tomarem o segundo gol na prorrogação

Que jogo!

Mais um que vai ficar na história desta Copa!

A Argélia já vinha empolgando (e conquistando a torcida presente nos estádios em que passava) desde o seu segundo jogo e, mais uma vez empolgou todos. Até o último instante de bola em jogo.

A Alemanha também jogou muito e empolgou. Mesmo no momento em que queria ter a posse de bola para garantir a vitória, manteve o jogo rolando e continuou procurando o ataque.

O técnico da Argélia, Vahid Halilhodzic, se despede desta Copa como um dos que melhor soube usar o grupo que ele convocou: ele alterou a equipe nos 4 jogos e o rendimento do time sempre cresceu de um jogo para o outro, usando quase todos os jogadores convocados.

Apesar do zero a zero nos primeiros 90 minutos, foi um jogo muito ofensivo: foram 29 chutes da Alemanha a gol (22 no alvo), contra 11 chutes da Argélia (7 no alvo). E a Argélia só não chutou mais porque Neuer saiu da área em várias jogadas para afastar os contra-ataques com os pés e não os deixou finalizar.

E, se Neuer foi o destaque da defesa alemã, o goleiro argelino Rais M’Bolhi foi o destaque do jogo. Ele fez uma partida praticamente perfeita.

A prorrogação manteve o ritmo frenético do jogo, apesar do desgaste físico que ficava claro em cada arrancada que terminava com uma câimbra.

A Alemanha abriu o placar logo no primeiro minuto da prorrogação, o que colocou mais fogo na partida, obrigando a Argélia a correr mais ainda atrás do gol.

Já nos últimos instantes da prorrogação, Özil aumentou o placar em um azar da defesa argelina (que havia acabado de afastar uma bola que estava em cima da linha do gol). Mas Djabou diminuiu a diferença quase que imediatamente. A Argélia ainda teve mais um ataque, mas… Não deu. O jogo acabou.

Com este resultado, a África ficou sem mais nenhum representantes nesta Copa.

E a Copa ficou sem a Argélia.

A Alemanha agora enfrenta a França em pé de igualdade. Os franceses chegaram ao Brasil desacreditados, encontraram sua força no decorrer da competição. Já os alemães vieram para disputar o título, mas têm encontrado um campeonato muito mais difícil do que imaginavam e estão tendo que enfrentar verdadeiras batalhas (como a de hoje) para avançar. Deverá ser um grande jogo


ALEMANHA 2 X 1 ARGÉLIA

ALEMANHA: Neuer; Höwedes, Boateng, Mertesacker e Mustafi (Khedira, aos 24 min. do 2°t); Lahm, Schweinsteiger (Kramer, aos 4 min. do 2°t da pror), Kroos, Götze (Schürrle, no intervalo) e Özil; Müller
Técnico: Joachim Löw

ARGÉLIA: M’Bolhi; Mandi, Mostefa, Halliche (Bouguerra, aos 6 min. do 1° t da pror.), Belkalem e Ghoulam. Lacen, Feghouli, Taider (Brahimi, aos 32 min. do 2°t) e Soudani (Djabou, aos 9 min. do 1°t da pror.); Slimani
Técnico: Vahid Halilhodzic

Data: 30 de junho de 2014
Horário: 17h00 (de Brasília)
Local: Beira-Rio, em Porto Alegre (RS)
Capacidade do estádio: 43.394
Público: 43.063
Árbitro: Sandro Meira Ricci (BRA)
Assistentes: Emerson de Carvalho (BRA) e Marcelo Van Gasse (BRA)
Cartões amarelos: Halliche, aos 41 min. do 2°t (ALG); Lahm, aos 2 min. do 2°t da prorrogação (ALE)
Gols: Schürrle, a 1 min. do 1° t da prorrogação, Özil, aos 14 min. do 2°t da prorrogação (ALE); Djabou, aos 16 min. do 2°t da prorrogação (ALG)
Súmula do jogo: aqui

Copa do Mundo 2014: Dia 18

Sneijder chuta forte, sem chances para Ochoa e empata o jogo

Sneijder chuta forte, sem chances para Ochoa, e empata o jogo

A vaga nas quartas já estava nas mãos do México.

Eles dominaram todo o primeiro tempo, abriram o placar no início do segundo tempo (gol de Giovani dos Santos), e só não aumentaram o placar com seus ótimos chutes de fora da área porque o goleiro Cillessen não deixou.

Era uma das grandes histórias da Copa: o técnico mexicano Miguel Herrera, que, a princípio, foi chamado apenas para dirigir a seleção na repescagem das eliminatórias para a Copa, mas que, com bons resultados foi ficando e chegou à Copa. Apontado como o técnico com menor salário das 32 seleções desta Copa, Herrera deu um nó na tática de mais um técnico superstar, Louis Van Gaal.

Em campo, Ochoa (o goleiro desempregado) parava o melhor ataque da competição, cheio de nomes consagrados.

Mas, quando a vitória já estava garantida, quando o México já tomava mais cuidado em proteger sua defesa do que buscando o segundo gol, e, a Holanda, sem mais nada a perder, foi com tudo para o ataque, já aos 44 minutos do segundo tempo, Robben cobra um escanteio, Huntelaar desvia de cabeça para a entrada da área, onde Sneijder estava bem posicionado e encheu o pé. O goleiro Ochoa, que fazia uma partida perfeita (foi eleito o melhor em campo) não teve tempo nem de tentar alcançar a bola.

Quando parecia ser inevitável ir para a prorrogação, debaixo do forte sol de Fortaleza, com os dois times já exaustos, Robben entra na área mexicana driblando e é derrubado por Rafa Marquez. Justo o experiente Rafa Marquez, aos 35 anos, capitão do México nas copas de 2002, 2006, 2010 e 2014. Capitão de 4 eliminações do México nas oitavas de final.

Huntelaar bateu o pênalti de um lado e Ochoa caiu para o outro.

Foi a despedida do México em sua quinta Copa consecutiva nas oitavas. Foi a despedida de mais um excelente time nesta excelente Copa. (E a despedida da torcida mais legal de todas a Copa).

A tv mostrava a torcida chorando copiosamente, sem acreditar. Torcida que há 5 minutos via um time extraordinário que finalmente se mostrava grande. Torcida que, há 5 minutos cantava alegremente:

“Ay, ay, ay, ay,
Canta y no llores,
Porque cantando se alegran,
Cielito lindo, los corazones”.


 HOLANDA 2 X 1 MÉXICO

Holanda: Cillessen, Vlaar, De Vrij, Blind, De Jong (Bruno Indi), Van Persie (Huntelaar), Sneijder, Robben, Verhaegh (Memphis), Kuyt, Wijnaldum.
Técnico: Van Gaal

México: Ochoa, Rodriguez, Salcido, Marquez, Herrera, Layun, Dos Santos (Aquino), Moreno (Reyes), Guardado, Peralta (Hernandéz), Aguilar
Técnico: Miguel Herrera

Data: 29/06/2014 – 13h
Local: Castelão (Fortaleza)
Capacidade do estádio: 60.342
Público: 58.817
Árbitro: Pedro Proença (POR)
Auxiliares: Bertino Miranda e Jose Trigo (Ambos de Portugal)
Cartões amarelos:  Aguilar e Guardado (MEX)
Gols: Giovani dos Santos (MEX), aos 3 minutos do 2º tempo, Sneijder (HOL), aos 44 minutos do 2º tempo e Huntelaar, aos 47 minutos do 2º tempo.
Súmula do jogo: aqui

 

Navas

Navas defende um pênalti e torna-se o herói da classificação

O jogo mais impensável das oitavas começou com Costa Rica e Grécia jogando como sempre: a Costa Rica muito organizada em campo e sempre buscando a vitória e a Grécia se segurando na defesa para tentar vencer o jogo em um contra-ataque ou, quem sabe, nos pênaltis.

A linha de impedimento da Costa Rica continua me impressionando: o ataque grego foi pego 10 vezes em impedimento (contra apenas 1 da Costa Rica), o que matou boa parte das tentativas do ataque grego.

No início do segundo tempo, Bryan Ruiz fez o gol costa-riquenho. A vitória parecia inevitável. Até a expulsão (em uma falta desnecessária, no meio de campo) de Duarte aos 21 minutos do segundo tempo.

Com a superioridade numérica e com seu time melhor fisicamente, o técnico Fernando Santos colocou a Grécia toda no ataque e, pela primeira vez na Copa, a Grécia passou a dominar totalmente o jogo. Do outro lado, a Costa Rica só tinha forças para dar chutões para frente, a Grécia tentava o gol de empate e, mesmo com um time cheio de atacantes, chegou ao gol de empate com o zagueiro Sokratis Papastathopoulos.

Mais uma prorrogação. Parecia que a heróica Costa Rica iria cair diante da mais heróica ainda Grécia. Afinal, como iriam sobreviver a uma prorrogação no estado de exaustão que estavam, diante dos gregos eletrizados pelo gol no último minuto? A resposta veio: com o goleiro Navas.

Em entrevista após o jogo, o técnico da Grécia resumiu: “Navas? Foi brilhante. Sem ele, o resultado teria sido outro.”

A Costa Rica segurou até os pênaltis. E, na última cobrança dos gregos: Navas novamente.

Jorge Luis Pinto, técnico da Costa Rica, disse: “Este é um resultado histórico. Não há palavras para descrever o que estou sentindo. Nunca é fácil jogar com dez homens, ainda mais contra um adversário assim, em uma Copa do Mundo. Estivemos seguros durante a partida, mas, além disso, mostramos muita confiança na disputa de pênaltis, tanto no nosso goleiro, que é extraordinário, como nos cobradores, que foram perfeitos. Estamos felizes e dedicamos a classificação a todo o povo da Costa Rica. Respeitaremos a Holanda como respeitamos todos os nossos adversários, mas a luta continua e queremos mais.”

E a Costa Rica continua firme e forte, emocionando sua torcida, a imprensa que acompanha os jogos, e qualquer um que esteja acompanhando seus resultados históricos, sofridos e surpreendentes.

Agora eles terão sua prova de fogo: vão enfrentar uma das seleções favoritas ao título (a Holanda). Novamente, não são os favoritos. Novamente, não dá pra imaginar uma vitória costa-riquenha. Dá sim para imaginar Van Pierse sendo pego por 20 vezes em impedimento durante o jogo, mas dá pra imaginar Robben vencendo a excelente linha de impedimento com sua velocidade.

Mas, a Holanda que se cuide…


COSTA RICA 1 (5) X (3) 1 GRÉCIA

COSTA RICA: Navas; Gamboa (Acosta, aos 31 min. do 2°t), Gonzalez, Umaña, Duarte e Diaz; Bolaños (Brenes, aos 39 min. do 2°t), Borges, Tejeda (Cubero, aos 20 min. do 2°t) e Bryan Ruiz; Joel Campbell
Técnico: Jorge Luís Pinto

GRÉCIA: Karnezis; Holebas, Papastathopoulos, Manolas e Torosidis; Maniatis (Katsouranis, aos 32 min. do 2°t), Karagounis, Samaris (Mitroglou, aos 12 min. do 2°t) e Christodoulopoulos; Salpingidis (Gekas, aos 24 min. do 2°t)  e Samaras
Técnico: Fernando Santos

Data: 29 de junho de 2014
Horário: 17h00 (de Brasília)
Local: Arena Pernambuco, em Recife (PE)
Capacidade do estádio: 42.610
Público: 41.242
Árbitro: Benjamin Williams (AUS)
Assistentes: Matthew Cream (AUS) e Hakan Anaz (AUS)
Cartões amarelos: Samaris, aos 35 min. do 1°, Manolas, aos 26 min. do 2°t (GRE); Duarte, aos 42 min. do 1°t, Tejeda, aos 3 min., Granados – no banco -, aos 10 min., Ruiz, aos 25 min., Navas, aos 44 min. do 2°t (CRC)
Cartão vermelho: Duarte, aos 21 min. do 2°t (CRC)
Gols: Bryan Ruiz, aos 6 min. do 2°t (CRC); Papastathopoulos, aos 45 min. do 2°t (GRE)
Súmula do jogo: aqui

Copa do Mundo 2014: Dia 17

Na trave: em jogo com a cara do Felipão, o Brasil passa para as quartas

Na trave: em jogo com a cara do Felipão, o Brasil passa para as quartas

O Brasil começou dominando o jogo. E por 30 minutos, a seleção brasileira adiantou a marcação e praticamente não deixou o Chile passar do meio de campo com a bola. No meio dessa pressão, David Luiz fez 1×0 em uma cobrança de escanteio. E, também no meio dessa pressão, o Brasil esqueceu que o Chile também joga assim.

Em uma cobrança de lateral displicente próxima à área brasileira, Vargas recuperou a bola e passou para Alexis Sánchez (sozinho, no meio da área) empatar.

Difícil de dizer se o Brasil reduziu o ritmo por causa dos 30 minutos de intensa dedicação física ou se foi o impacto do gol de empate, mas o fato é que, daí pra frente, o jogo se equilibrou e ficou cada vez mais tenso para as duas equipes.

A batalha dos técnicos também estava empatada: um time anulou os pontos positivos do outro e apenas algumas jogadas de habilidade desequilibravam o jogo. O meio de campo não era de ninguém e as defesas se sobressaiam nas jogadas dos dois lados.

Hulk se destacou no final do jogo, com alguns chutes de fora da área e até marcando um gol, que foi anulado por ter tocado a bola com o braço.

O primeiro jogo das oitavas já precisou ir para a prorrogação.

E continuou no mesmo ritmo, com uma pequena vantagem para o Brasil (aparentemente melhor fisicamente).

Mas a bola do jogo foi do Chile. Já no final da prorrogação, Pinilla entrou na área brasileira e chutou forte, sem chances para o goleiro Júlio César. Com a palavra, o técnico Jorge Sampaoli: “A sensação de ver aquela bola no travessão…aquele era o momento para fazer história, era um Mineirazo […] Os jogadores que entraram na história são aqueles que representaram o país, correndo como se nada tivesse acontecido. Se não fosse esse último chute na trave, teria sido uma tarde merecida“.

Mas a bola não entrou, e a decisão foi para os pênaltis.

Sob um clima maior ainda de tensão, Júlio César se destacou defendendo duas cobranças. Bravo defendeu uma e o Brasil ainda chutou uma para fora. E na última cobrança chilena, a trave. De novo.


BRASIL 1 (3) X (2) 1 CHILE

Brasil: Júlio César; Daniel Alves, Thiago Silva, David Luiz e Marcelo; Luiz Gustavo, Fernandinho (Ramires) e Oscar (Willian); Hulk, Neymar e Fred (Jô). Técnico: Luiz Felipe Scolari

Chile: Bravo; Medel (Rojas), Francisco Silva e Jara; Isla, Marcelo Díaz, Aránguiz, Vidal (Pinilla) e Mena; Vargas (Felipe Gutiérrez) e Alexis Sánchez. Técnico: Jorge Sampaoli

Data: 28/06/2014 – 13h
Local: Mineirão (Belo Horizonte)
Capacidade do estádio: 58.170
Público: 57.714
Árbitro: Howard Webb (ING)
Auxiliares: Michael Mullarkey e Darren Cann (ING)
Cartões amarelos: Hulk, Luiz Gustavo, Jô e Daniel Alves (Brasil); Mena, Francisco Silva e Pinilla (Chile)
Gols: David Luiz, aos 17 min, e Alexis Sánchez aos 31 min do 1º tempo
Súmula do jogo: aqui

 

James Rodríguez tem exibição de gala no Maracanã

James Rodríguez tem exibição de gala no Maracanã

Após se recuperar de uma derrota para a Costa Rica com vitórias históricas contra a Inglaterra e contra a Itália, após a polêmica mordida de Soárez e sua punição (que acabou o afastando do resto da Copa), o Uruguai ainda teve que enfrentar um Maracanã lotado de colombianos.

Mas o maior desafio que os uruguaios encontraram em toda esta Copa  seria tentar parar a embaladíssima Colômbia mesmo.

Oscar Tabárez organizou bem seu time e conseguiu negar qualquer espaço para a Colômbia usar sua velocidade e nem deu chance para seu fatal contra-ataque.

Mas a Colômbia mostrou que é mais do que isso. Mesmo sem espaço, o ataque colombiano levava perigo, com destaque (como sempre) para Cuadrado e para a exibição de gala de James Rodríguez, que saiu consagrado do Maracanã com um golaço no primeiro tempo que quebrou a tática bem estruturada do Uruguai, obrigando-os a buscar o gol de empate e partir para o ataque com mais afinco do planejavam.

A Colômbia aumentou o placar no segundo tempo, novamente com James Rodríguez (que tornou-se, pelo menos por agora, o artilheiro da Copa com 5 gols). Tabárez fez substituições e tornou o Uruguai ainda mais rápido e ofensivo, mas encontrou o goleiro Ospina em um bom dia e, ataque após ataque, segurou o resultado de 2×0.

A Colômbia (que já havia garantido sua melhor campanha na história das Copas com as 3 vitórias na fase de grupos), chega pela primeira vez às quartas de final e enfrentará o Brasil. Vais ser uma prova de fogo para os dois lados. O vencedor deste jogo sairá, certamente, com a confiança reforçada, pronto para encarar uma semi-final que, certamente, não será nada fácil.


COLÔMBIA 2 X 0 URUGUAI

Colômbia: Ospina; Zuniga, Zapata, Yepes e Armero; Carlos Sánchez, Aguilar, Cuadrado (Guarín) e James Rodríguez (Ramos); Teófilo Gutiérrez (Meria) e Jackson Martínez
Técnico: Jose Pekerman

Uruguai: Muslera; Cáceres, Giménez e Godín; Maxi Pereira, Arévalo Rios, González (Hernandez), Rodríguez (Ramos) e Álvaro Pereira (Ramirez); Forlán (Stuani) e Cavani
Técnico: Oscar Tabarez

Data: 28/06/2014 – 17h
Local: Maracanã (Rio de Janeiro)
Capacidade do estádio: 74.738
Público: 73.804 pessoas
Árbitro: Bjorn Kuipers (HOL)
Auxiliares: Sander Van Roekel (HOL) e Erwin Zeinstra (HOL)
Cartões amarelos: Gimenez, Lugano (Uruguai); Armero (Colômbia)
Gols: James Rodríguez, aos 28min, do 1º tempo e aos 4min do 2º tempo
Súmula do jogo: aqui